DISCOS
Sensible Soccers
Villa Soledade
· 16 Mar 2016 · 23:17 ·
Sensible Soccers
Villa Soledade
2016
Ed. de Autor


Sítios oficiais:
- Sensible Soccers
Sensible Soccers
Villa Soledade
2016
Ed. de Autor


Sítios oficiais:
- Sensible Soccers
O difícil segundo disco é mais fácil do que parece.
O caminho que está a ser percorrido pelos Sensible Soccers é um que lhes pertence só a eles e a mais ninguém. Há anos que é assim. Os adjetivos são recorrentes e cabem no mesmo espectro: onírico, espacial, nostálgico. Se 8 foi uma vaga outonal que embateu com estrondo nas rochas da praia, Villa Soledade é a maré de inverno e as suas correntes, invisíveis de fora, embora capazes de abraçar o mais temerário navegante e levá-lo a conhecer o fundo do oceano. Agora um conjunto a três com a saída do baixista Emanuel Botelho (a quem agradecem “sem mais nem menos” no disco), Villa Soledade reforça o que os Sensible Soccers tinham de abstração no passado e refina-os. Não é um disco perfeito, tem altos e baixos e estes últimos cortam a fluidez que poderia ter gerado uma obra-prima, mas há uma procura de algo definido.

“Clausura” abre um álbum que encerra com “Apertura” e remete para uma banda sonora Carpenteriana. A primeira faixa troca as voltas ao ouvinte e àquilo que pode ser esperado dos seis temas que se seguem. Tem tanto de mar como a última canção, mas é no meio que as coisas se complexificam. Nos extremos há a rebentação. No meio as ditas correntes incertas, como, por exemplo, a transição de “Villa Soledade” para “Bolissol”. Ou a beleza visceral de "Shampom".

O tema que dá nome ao disco (ou vice-versa) indica o percurso. Aqui ouvem-se as ligações a 8, sente-se a força que empurra os membros em direções imprevisíveis e que nos faz mexer, só porque se pode. No seu melhor, os Sensible Soccers são a musicalização da liberdade. O que exprimem não tem contornos nem fronteiras. E nisso, não há mais ninguém idêntico ou sequer próximo em Portugal. Sem impor, o som do grupo envolve. Abraça e recompensa quem o escuta com atenção e dedicação uma e outra vez. Porque se há algo essencial em Villa Soledade é essa necessidade de repetição. De regresso a casa. Uma e outra vez. Sem dizer “já chega”. Volta-se sempre lá. Caso contrário perdem-se os detalhes.

O que há de acolhedor no som da banda é o que impede que seja confinado a uma “banda sonora”. É bastante mais do que isso. Há algo de casa. Não por acaso, Villa Soledade é, como já explicou o guitarrista e coprodutor do disco Filipe Azevedo, uma casa na estrada nacional entre Vila do Conde e Santo Tirso, uma casa muito especial feita em “homenagem de um pai a um filho falecido”. O álbum não tem a ver com isso. No entanto, há aqui casa e há mar. Há, como dizia um grande senhor, há ir e voltar.
Tiago Dias
tdiasferreira@gmail.com
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