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10 000 Russos
10 000 Russos
· 26 Nov 2015 · 17:15 ·
10 000 Russos
10 000 Russos
2015
Fuzz Club Records


Sítios oficiais:
- 10 000 Russos
- Fuzz Club Records
10 000 Russos
10 000 Russos
2015
Fuzz Club Records


Sítios oficiais:
- 10 000 Russos
- Fuzz Club Records
Erros e evoluções.
Ao contrário daquilo que vos dirão egocêntricos e egomaníacos, ortodoxos e dogmáticos, fascistas da razão e do gosto, é bom - não, é óptimo - estar errado. Estar errado implica que existe espaço para a melhoria, para a mudança, para o progresso; permite a existência de um futuro digno desse nome, e não apenas de um presente estagnado onde o tempo flui como uma pastilha elástica cuspida e colada no passeio. Os erros podem ser corrigidos, as certezas raramente o são. E uma certeza errada arruína o mundo.

E isto é válido tanto para o campo social, como para o campo político, como para o campo artístico. Na música e na crítica de música é eternamente válido: a banda que começou lixo e que agora é fantástica, a artista que era íntegra e que posteriormente se vendeu pela licitação maior, a canção orelhuda que se torna insuportável... O erro de opinião é necessário se se gosta realmente de música - e, admito-o desde já, eu estava errado (e ainda bem!) quando disse, há uns dois anos, que os 10 000 Russos eram apenas duas pessoas e não precisavam de mais nenhuma porque assim é que é bom.

Porque um tipo escuta este álbum homónimo, editado há meses pela britânica Fuzz Club, e essas ideias - agora obsoletas - são imediatamente destruídas quando se ouve a magnífica linha de baixo presente em "Karl Burns", que não estaria ali se os 10 000 Russos não fossem agora um trio composto por João Pimenta, Pedro Pestana e André Couto, sendo este último a mais recente "contratação"; e, assim, do quase lo-fi psicadélico do primeiro EP, nasce uma banda capaz de nos transportar para outros patamares existenciais, através agora e também do groove. Entrar a dançar pelas portas da percepção adentro, portanto.

O que não mudou foi a capacidade dos 10 000 Russos de, por vezes, nos atemorizar: veja-se o galope rítmico de "Us vs Us", onde nos parece que um exército de bárbaros a perder de vista irá a qualquer instante saltar das nossas colunas ou dos headphones e arrancar-nos a cabeça num só gesto, ofertando-a a um Deus distante e tenebroso enquanto um cântico noise ecoa em fundo. Isto para não falar do efeito que a guitarra de "Baden Baden Baden" tem num corpo e numa mente ali a partir dos 3:30 minutos. Que eu me engane muitas, muitas mais vezes.
Paulo Cecílio
pauloandrececilio@gmail.com
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