DISCOS
MEDEIROS/LUCAS
Mar Aberto
· 19 Mar 2015 · 11:58 ·
MEDEIROS/LUCAS
Mar Aberto
2015
Lovers & Lollypops


Sítios oficiais:
- Lovers & Lollypops
MEDEIROS/LUCAS
Mar Aberto
2015
Lovers & Lollypops


Sítios oficiais:
- Lovers & Lollypops
Açores, terra que nunca se esquece.
Existe um poema, da autoria de Pedro da Silveira, para sempre imortalizado numa placa mirando o mar na Fajã Grande, na sua Flores natal:

Só isto:
O céu fechado, uma ganhoa
pairando. Mar. E um barco na distância:
olhos de fome a adivinhar-lhe à proa
Califórnias perdidas de abundância.


Não adianta dissertar sobre quão Portugal é uma terra de saudade, e os Açores de saudade-mor - daqui partiram inúmeros pais e filhos em busca dessas Califórnias, dessas riquezas que não encontraram onde nasceram; aqui choram de nostalgia todos quantos perdem famílias, todos quantos viram partir amores, e choram os que abandonaram o cheiro da sua terra. Evoca-se o poema porque poderia descrever Mar Aberto perfeitamente, o disco de Carlos Medeiros e Pedro Lucas editado recentemente pela Lovers & Lollypops: o mar aberto como uma estrada que os marinheiros desbravam pela aventura e pela bonança.

E citamos poesia porque isto é poesia. Em Mar Aberto a voz de Carlos Medeiros e os versos de inúmeros outros escritores tomam a dianteira, coadjuvados pela música de Lucas. Em "Búzio" uma guitarra escorrega, assustadoramente, sob cacos electrónicos. Em "Fado Do Marujo", a saudade, sempre essa maldita, assume-se tribal e inquieta, como se se pudesse dançar a tristeza. E "Marinheiro" é uma daquelas canções de cortar à faca, destapando a agonia da solidão através da pena de Cervantes: Marinheiro sou de amor / E em seu pélago profundo / Navego sem esperança / De chegar a porto algum.

Mar Aberto, ao longo de onze magníficos temas, cativa o ouvido português de uma forma que só os Dead Combo e os Ermo são capazes de fazer, ao mesmo tempo vestindo-se com uma certa capa Americana; uma América vista de longe, das costas de todas as ilhas dos Açores (e será melhor definir esta música em itálico: Açoriana), onde toma forma a saudade. Chamar-lhe simplesmente "belo" seria ser-se parco em palavras. É melhor, ao invés, utilizar: "essencial".
Paulo Cecílio
pauloandrececilio@gmail.com
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