DISCOS
Interpol
El Pintor
· 22 Out 2014 · 09:44 ·
Interpol
El Pintor
2014
Matador


Sítios oficiais:
- Interpol
- Matador
Interpol
El Pintor
2014
Matador


Sítios oficiais:
- Interpol
- Matador
Estão vivos. Rejubile-se.
É difícil para qualquer banda superar a saída de um dos seus membros fundadores, ainda para mais quando o membro em questão era responsável directo pela sonoridade que a mesma construiu desde a raiz. O disco que apresentou os Interpol ao mundo e os transformou num caso de culto, Turn On The Bright Lights, não seria o mesmo sem as linhas de baixo de Carlos Dengler: bebendo da tradição pós-punk de adoptar o groove funk a um estilo de música eminentemente branco, o baixista (que, diz-se agora, nem gostava assim tanto do seu instrumento...) criou a atmosfera negra e a espaços dançável que a banda de Nova Iorque resgatou aos Joy Division, impulsionando o revivalismo que se viu na esfera indie de inícios do milénio. Ouça-se "Obstacle 1" e "Say Hello To The Angels", por exemplo.

Com Antics, e com o caminho pop-rock radiofónico que os Interpol seguiram a partir daí, as guitarras passaram a estar em proeminência, fazendo do trabalho de Dengler um mero acompanhar de ritmo - ainda que o som do seu baixo, escondido entre os riffs, continuasse a atribuir à banda a aura urbano-depressiva que os discos posteriores continuaram a explorar. El Pintor, anagrama e quinto disco dos Interpol, já não conta com a sua presença, mas os trilhos são os mesmos. Com Paul Banks a assumir os deveres do ex-colega, este novo registo dos Interpol em nada difere dos anteriores, um óptimo sinal; continuam a ser a banda que apaixonou imensos adolescentes há dez, doze anos atrás.

Tudo isto sem que em El Pintor se sinta que não passa de "mais do mesmo". Aliás, é bem possível que seja um dos melhores trabalhos, em termos de canções, dos norte-americanos, quatro anos após o algo falhado disco homónimo e uns furos à frente de Antics (mas não do subvalorizado Our Love To Admire e, claro, de Turn On...). "All The Rage Back Home", single de avanço e primeiro tema de El Pintor, ainda fez abanar algumas cabeças quando saiu meses antes - sim, é Interpol, apenas nada do outro mundo. Mas logo a seguir vem a toada gótico-épica de "My Desire": baixo na frente, guitarras gingonas e um teclado a fechar espaços. No fim das contas, ainda podemos gostar deles, pensa-se.

E os que o pensam têm bons motivos para o fazer. El Pintor é um disco coeso e, no contexto pop-rock, até mesmo algo refrescante. Óptimas canções como "Anywhere", "My Blue Supreme" e "Breaker 1" continuariam a manter acesa a chama dos Interpol, mas é na magnífica "Tidal Wave" e no decrescendo final em que o título é repetido (como uma vaga, precisamente) que está o momento maior de El Pintor, um álbum que, acima de tudo, anuncia ao mundo que Paul Banks e associados continuam bem vivos. Que continuem assim por muitos bons anos.
Paulo Cecílio
pauloandrececilio@gmail.com
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