DISCOS
Sir Scratch
Em Nosso Nome
· 14 Dez 2012 · 22:54 ·
Sir Scratch
Em Nosso Nome
2012
Footmovin´


Sítios oficiais:
- Sir Scratch
- Footmovin´
Sir Scratch
Em Nosso Nome
2012
Footmovin´


Sítios oficiais:
- Sir Scratch
- Footmovin´
Aspereza orgânica camuflada.
Novembro e Dezembro costumam ser altura de fazer o balanço daquilo que aconteceu durante o ano. Para a Footmovin, casa portuguesa respeitada, dedicada sobretudo – mas não só – ao hiphop, foi altura de lançar um disco que não merece passar despercebido. Segundo disco de Sir Scratch, “Em Nosso Nome” é obra de fôlego, com o quadro rimas-beats-produção pintado em cores nítidas sobre tela valiosa. Com uma estrutura sobretudo orgânica, quer na produção, quer nos músicos convidados, evita os perigos do “bom gosto” e “sofisticação”, graças à toada combativa e personalizada das rimas de Scratch. Apenas alguns dos convidados, deslocados do seu mundo, não contribuem da melhor maneira para o óptimo resultado final de “Em Nosso Nome”.

“A Crise”, por exemplo, tem tudo para ser extraordinária. Desde a bateria furiosa de Fred Ferreira, dos Orelha Negra, à entrada a matar de Sam The Kid, e às rimas do próprio Sir Scratch. Apenas a voz de Diogo Dias, dos Klepht, parece incapaz de sacudir os tons demasiado rock-amornados da sua banda. “CSF”, traz-nos um Bob Da Rage Sense que parece mais contundente que nos seus singles, mas a voz de New Max não perde o seu tom afectado e irritante. Melhor é “Em Nosso Nome”, ainda com Bob Da Rage Sense, e também Kalaf, e Selma Uamusse, dos Wraygunn, belíssimo exemplo do que ainda se pode fazer com soul, jazz e funk movido a sopros. Aliás, a dita faixa-título é um de muitos casos em que o disco impõe uma toada extremamente viciante e orelhuda, sem comprometer ou chegar aos campos hip-pop ou a tão em voga EDM. Surpreende, por exemplo, “Por Medo”, com Tim (Sim, esse Tim), rockeira, radiofónica e destemida.

Sir Scratch demonstra ser um MC capaz de rimar a diversas velocidades, sem nunca perder o norte, nem o talento para denegrir adversários, clamar qualidades ou intervir no discurso sobre a sociedade actual. As suas estrofes e versos fazem-se de encadeamentos velozes, que obrigam a estar atento (vale a pena), e aliterações que decerto seriam capazes de impressionar Sam The Kid, outro MC que também as aprecia sobremaneira. Tanto podemos ter voltas de um fôlego só, como em “Se Tás Nisto Por Desporto” (com Carlos Barroca, especialista da NBA, a comentar da sua forma inimitável), ou entrar por campos histórico-filosóficos, como na lusófona “Capoeira” (com Luanda Cozetti, dos Couple Coffee). E frases citáveis em doses consideráveis, com sentido de humor e originalidade (“Eu sou Gang Starr, eu sou Rakim / Vocês parece que cozinham os versos na Bimby”, “Faz Parte”).

Com outros convidados como NBC, Noiserv ou Brain, e produtores como Serial, Sam The Kid, Nottz, Illmind ou Skunk, “Em Nosso Nome” é um disco que, sendo fiel ao hiphop como contínuo de história e evolução, tem tudo para conquistar adeptos dos lados mais ou menos puristas. Haja espaço para que ele se faça ouvir. Sir Scratch, o MC, chegou para ser ouvido. Façam-lhe justiça.
Nuno Proença
nunoproenca@gmail.com
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