DISCOS
Bjørn Torske
Kokning
· 10 Fev 2011 · 10:25 ·
Bjørn Torske
Kokning
2010
Smalltown Supersound


Sítios oficiais:
- Bjørn Torske
- Smalltown Supersound
Bjørn Torske
Kokning
2010
Smalltown Supersound


Sítios oficiais:
- Bjørn Torske
- Smalltown Supersound
Música que vive orgulhosa e conscientemente na terra de ninguém ou uma música sem um propósito existencial?
Há discos que não se percebem à primeira, uns porque são complexos emaranhados de referências que tardam a fazer sentido, outros porque simplesmente foram elaborados num local tão distante das actuais tendências que tornam-se, à primeira vista, neutros e despojados de ambição – independentemente da sua complexidade ou simplicidade. Em ambos os casos, escutas prolongadas são necessárias para um processo analítico correcto que não condene uma obra a uma ideia inapropriada, seja ela positiva ou negativa.

O novo disco do norueguês Bjorn Torske, Kokning, está num nível em que será necessário ir mais além do sentido empírico mais imediato para dele se lhe desenraizar considerações concretas. Porque Kokning vive em terra neutra com vida própria e ambições peculiares e particulares, o disco é feito à imagem do seu autor com um sentido de urgência para quem se predispuser envolver em dualidades estéticas que provocam reacções diferentes de dia para dia. Como se esta música vivesse para si e com convites reservados para uma clientela seleccionada por Torske. Nada disto quererá dizer que estamos perante um elitismo sonoro pelo qual poucos se sentirão atraídos. Antes pelo contrário, nada por aqui é novo, nada é desusado, nada é transcendente.

E se nada é quase tudo, e nos sentimos minimamente realizados, também é num todo com ausência de fortes convicções que o savoir faire perde alguma vitalidade e orgulho; até porque é no vácuo de algumas ideias – especulações inacabadas? – que encontramos algumas das fraquezas deste disco. Entre o ambientalismo pastoral, África ou a sonhar com o Brasil ou com utopias galacticas, disco-sound a fugir de perigosos raios lazer enquanto tenta tele-transportar-se para as ilhas Baleares, house a absorver poeiras cósmicas ou dub electrónico fantasmagórico e peçonhento – ou qualquer outra etiqueta que se lhe queiram colocar que caracterize as diversificadas paisagens –, Kokning deixa – mesmo ao fim de centenas de escutas – algum vazio na alma. Não que seja genuinamente mau, mas simplesmente porque não é assertivo no seu propósito existencial. Torske perdeu aqui o valioso discernimento que fez de Feil Knapp um disco vivo, charmoso, expressivo e saudavelmente devaneador. Foi-se o espírito aglutinador, resta a proficiência. Não está tudo perdido.
Rafael Santos
r_b_santos_world@hotmail.com
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