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Dead Combo
Galeria Zé Dos Bois, Lisboa
09/06/2011


Para acolher duas noites seguidas de concertos com os Dead Combo, dias 9 e 10 de Junho, a ZDB engalanou-se. Deu uma volta ao aquário: o palco mudou-se para o centro do espaço, estando este transformando num grande cenário. Os músicos estavam rodeados por guitarras (sete!), além de diversos outros instrumentos, havia rosas espalhadas pelo chão, diversos objectos de decoração vintage, muitas lâmpadas: várias ao redor do palco e uma lâmpada grande no meio. E a toda a volta do palco estava o público, toda a gente sentada no chão.

Chegaram os músicos: Tó Trips sentado, guitarra ao colo, o tradicional chapéu; Pedro Gonçalves de pé, debruçado sobre o contrabaixo, o habitual fato e óculos escuros. A guitarra pesarosa encontra o balanço do contrabaixo e dali ecoa uma estranha portugalidade. A música viaja por paisagens imensas, cordilheiras de referências, mas regressa sempre a uma estranha familiaridade, espécie de “fado-western”, onde a aridez de um deserto americano encontra a essência da alma lusitana.

Se Tó Trips se ficou pelas guitarras (e quase sempre electrificadas), já Gonçalves não se ficou apenas pelo contrabaixo, mas serviu-se também de outras guitarras, guitarra “slide”, melódica e tudo o que houvesse à mão. O duo foi deambulando entre temas mais antigos e alguns novos – destes, o destaque vai para os títulos “Cachupa man” e “A marcha dos desalojados”. Atenção, não há que temer, os temas novos não destoam daquilo que já lhes conhecemos.

A nostalgia dos Dead Combo vai crescendo nessa tensa relação entre o dedilhar de Trips e o trabalho de Gonçalves: que ora investe na melancolia do arco, ora intensifica a turbulência sonora utilizando o pizzicato. Desenvolvendo uma música inconfundível, os Dead Combo conseguiram definir o seu universo sonoro particular - estranhamente lusa e global. Pela amostra dos novos temas revelados no aquário da ZDB ficámos com a confirmação de que o que aí estiver para vir (sem pressa, rapazes), irá manter os elevados standards de qualidade a que os Dead Combo já nos habituaram.

Nuno Catarino
nunocatarino@gmail.com
14/06/2011