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As dez melhores canções de sempre neste preciso momento #1 - The Weatherman



Todas as webzines o fazem. Por que não pôr o Bodyspace a fazê-lo também? Pegar em artistas cheios de boa vontade e pô-los a listar as suas 10 canções favoritas neste preciso momento, dizendo um pouco sobre cada uma. O passado, o presente, o futuro, tudo pode aparecer. Será uma rubrica com uma regularidade variável, por motivos óbvios. Para começar, escolhemos The Weatherman, um artista português cujo aguardado disco de pop solarenga sairá em Janeiro. Canções reluzentes, com um pé na britpop e outro numa base electrónica que só poderia vir dos anos 2000. Assim, não se torna estranho que o disco saia pela mono¨cromática, editora dedicada à música electrónica. Aqui ele lista as melhores canções de todo o sempre neste preciso momento:

1 “God Only Knows”, Brian Wilson: Palavras para quê? A pop nunca esteve tão perto do paraíso, nem o génio de Brian Wilson. Quando a ouvi pela primeira vez, a primeira coisa em que pensei foi: “É isto! É O tal!” A letra é simples mas vai directa ao assunto. Toda a gente devia conhecer esta música.

2 “Pomp and Circumstance March No. I”, Elgar: Escasseiam também as palavras para descrever esta música. Faz parte da banda sonora desse melhor filme de todos os tempos, Laranja Mecânica. A beleza desta música é tal, que associada ao filme quase deu comigo em doido, já que se trata do genial associado à loucura, ou vice-versa. Gostava que fosse a banda sonora para o meu requiem! Obra-prima absoluta.

3 “In My Life”, The Beatles
: Provavelmente uma das melhores músicas de John Lennon. Faz parte do álbum Rubber Soul, dos Beatles. Tudo soa perfeito nesta música, e quem ainda duvida que qualquer cover de Beatles nunca vai chegar aos pés dos originais devia ouvir esta música para o perceber de vez. Compare-se com outros discos da altura de outras bandas e perceba-se o quanto à frente os Beatles estavam.

4 “Waterloo Sunset”, The Kinks: Esta música parece uma continuação da “God Only Knows” dos Beach Boys. Os arranjos não chegam a ser tão trabalhados, mas o feeling está lá. Sempre que a ouço arrepio-me todo.

5 “Life On Mars”, David Bowie: Provavelmente a melhor canção escrita nos anos 70 por uma dos maiores génio da pop. A fase Ziggy é para mim uma referência incontornável.

6 “Here, There And Everywhere”, The Beatles: Faz parte do álbum Revolver dos Beatles. Para mim esta é a melhor música de amor alguma vez escrita. Só podia ter sido Paul McCartney a compô-la. Consegue a proeza de elevar o amor ao mais alto nível de bom gosto. A melodia é bem rebuscada e a letra é pura e simplesmente genial. Nunca cai no fácil ou no lamechas, característica que McCartney nem sempre conseguiu manter a este nível ao longo da sua carreira.

7 “There’s a Light That Never Goes Out”, The Smiths: uma das melhores bandas de todos os tempos. Nunca a abordagem da ligação entre o amor e a morte foi tão bem conseguida e o génio lírico de Morrissey tão apurado. É impressionante como um tema tão simples como o levar a casa a namorada de carro dá azo a uma música tão boa.

8 “Everything Means Nothing To Me”, Elliott Smith: Creio que não existe uma única música de Smith que não me deixe emocionado. Esta faz parte do seu terceiro álbum, “Figure 8”, o primeiro que conheci da sua curta discografia. Para mim o melhor songwriter dos anos 90, de longe.

9 “Beware Of Darkness”, George Harrison: [Harrison] guardou algumas das suas melhores canções de sempre para o seu primeiro disco a solo após a separação dos Beatles, “All Things Must Pass”. Com este disco já ninguém duvida que Harrison era tão génio como os seus ex-companheiros de banda. Esta canção é de uma beleza extraordinária.

10 “Banshee Beat”, Animal Collective: estou seriamente desconfiado que este mais recente álbum dos AC é das melhores coisas que ouvi, desde sempre. Tenho ouvido esta música como um doido, a toda a hora. Há muito tempo que não ficava tão impressionado com um disco de música pop. No mínimo deverá ser o melhor disco de 2005. E pronto, era só para comunicar que neste momento estou apaixonado por este disco.


É com um conhecimento e um respeito por aqueles que vieram antes, por aqueles para quem a escrita de canções é uma arte, que The Weatherman trabalha. Estas referências fazem todo o sentido quando ouvimos Cruisin’ Alaska, o tal disco de pop solarenga quase a sair.


Rodrigo Nogueira
rodrigo.nogueira@bodyspace.net
16/11/2005