Fevereiro 2010
Cheiro da cidade
· POR Bruno Silva · 24 Fev 2010 · 18:34 ·
Depois dos lançamentos em cassete, na sua As Above So Below, das colagens inicialmente disponibilizadas gratuitamente no seu Myspace e de Low Cut Fades na imponente Not Not Fun, Joe Knight prepara-se para lançar no primeiro dia de Março pela Olde English Spelling Bee, o primeiro álbum de Rangers, apropriadamente intitulado Suburban Tours. Pela informação disponível, Suburban Tours irá contar com 10 temas, onde Knight enceta aproximações mais fidedignas ao formato canção. Este primeiro avanço, “Deerfield Village” aponta nessa mesma direcção. Num contínuo com a obra de Ariel Pink, James Ferraro (em Lamborghini Crystal) ou, mais directamente Ducktails, demarca-se destes nomes pelo seu imaginário marcadamente mais urbano e distante das visões paradisíacas, tropicais ou altamente drogadas dos nomes acima referidos.

“Deerfield Village” é enfática nesta mesma procura com a guitarra a trazer-me à memória aquilo que eu esperava a que Suburban Light dos Clientele soasse antes de os ouvir (e tendo apenas por referência as críticas lidas). O vídeo enceta essa mesma perspectiva, com apanhados granulados do dia-a-dia citadino perfeitamente enquadrados com um certo torpor pré-sonho. Tem até qualquer coisa de pós-punk britânico. Numa proximidade, será seguro afirmar que qualquer pessoa que faça a viagem de barco entre Lisboa e o Barreiro sentirá alguma empatia. Tendo em conta a surpreendente atenção que alguns dos seus pares viram recair sobre si, não será, de todo, descabido que muitos mais serão também afectados pela onda.

Encontros à 5ª do INEGI com “O Jornalismo e a Música”
· POR André Gomes · 24 Fev 2010 · 00:14 ·
É já na próxima quinta-feira. Os ENCONTROS À 5ª estão de volta no próximo dia 25 de Fevereiro, pelas 18h30, na Sala Polivalente do INEGI, no Campus FEUP, no Porto. A abrir um ciclo que se estende até ao final de Junho estará a rubrica Conversas d’escritas, desta vez subordinada ao tema “O Jornalismo e a Música”.

A sessão, que abordará várias temáticas em torno da relação do jornalismo com a música e vice-versa, contará com nomes bem conhecidos do jornalismo e da música nacionais, como Francisco Silva (Old Jesuralem), Isidro Cunha (Rádio Nova), Jorge Oliveira (RTPN), o nosso Pedro Rios (Público, Bodyspace et al) e Ricardo Dias (Heavenwood e Rockmusic). A organização espera "uma sessão descontraída, animada e com a sempre participação activa da assistência". Para mais informações consultar o site do INEGI.
Pedro Magina lança o seu disco de estreia fora de Portugal
· POR André Gomes · 23 Fev 2010 · 00:20 ·


Quem nos diz é o próprio Pedro Magina, que fora dos Aquaparque edita música assinando como Magina. Surgiu o interesse por parte de uma editora francesa para a edição já deste EP que se concretiza com o lançamento oficial nesta passada segunda feira, dia 22, em Portugal, com uma edição especial e limitada a 50 cópias que estarão disponíveis em algumas lojas.

O lançamento no resto do mundo está previsto para meados de Março. A editora chama-se Ruralfaune e além da edição, fará a distribuição nos EUA, Japão e resto da Europa. A 6 de Março Pedro Magina apresenta o seu EP ao vivo no sempre apetecível Café au Lait, no Porto, o poiso favorito do Bodyspace para festas temáticas - ou nem por isso. No dia 10 de Março desce a Lisboa para um concerto no Lounge.
Um volume imenso de falência sexual: a grande caixa dos Arab Strap é lançada em Abril.
· POR Miguel Arsénio · 22 Fev 2010 · 15:32 ·


Paranóia, dor de corno, fobias, memórias mal enterradas, tédio intercalado com tédio, desgosto silenciado com bebida. Podiam ser as alíneas num relatório psiquiátrico, mas são os temas que desde sempre alimentam a nossa estranha relação com o duo mais miserável de toda a Escócia: os Arab Strap, claro. Apesar do final declarado algum tempo após o excelente e conciso The Last Romance (2005), a parceria que une Aidan Moffat e Malcolm Middleton não tem deixado de dar sinais de vida. A garantia disso surge no anúncio das reedições dos clássicos-neura The Week Never Starts Round Here (disco de estreia) e Philophobia (provavelmente, o mais forte álbum dos Strap) em CD duplo com os extras e raridades do costume.

Contudo, o grande atentado ao saldo bancário dos fãs de Arab Strap será uma caixa de coleccionador que visa celebrar os dois discos. A caixa, adequadamente intitulada Scenes of a Sexual Nature, inclui tudo isto:

- O LP de The Week Never Starts Round Here com artwork modificado à imagem da “visão original” de Aidan Moffat.

- O LP duplo de Philophobia com artwork revisto de modo a incluir as letras e um formato de livro.

- Dois vinis com as primeiras duas Peel Sessions, raridades e faixas de velhos singles, e uma versão de “Girls of Summer” registada no quinto aniversário da Chemikal Underground. Os LPs incluem também a faixa “Daughters of Darkness”, um inédito, que só recentemente foi acabado por Aidan e Malcolm propositadamente para a caixa.

- Um CD com material ao vivo dos arquivos da BBC, incluindo o primeiro concerto de sempre dos Arab Strap.

- Um CD com todas as faixas incluídas nos EPs da era The Week Never Starts Round Here-Philophobia.

- Um CD de dados com todos os MP3 incluídos nos vinis e os vídeos de “Here We Go” e “(Afternoon) Soaps”.

- Uma réplica da primeira cassete-demo dos Arab Strap idêntica à que foi enviada para a Chemikal Underground.

- Notas exclusivas escritas por Aidan e Malcolm.

- Um poster colorido com recortes de imprensa.

- Um certificado individualmente numerado e assinado por Aidan e Malcolm. A edição é de apenas 1000 cópias.

O preço deste imenso legado de miséria deve rondar os 75 euros e a data de lançamento aponta para meados de Abril. As reedições normais chegarão algum tempo mais tarde.
Há sempre mais Booka Shade
· POR R · 19 Fev 2010 · 21:08 ·


E vai mais um para Walter Merziger e Arno Kammermeier, conhecidos mundialmente por Booka Shade. Falamos, pois, de mais um álbum de originais. Mais um a acrescentar à interessante discografia que os alemães têm vindo a establecer desde que se apresentaram formalmente em longa duração em 2004 com Memento. São ao todo 5 álbuns a contar com este que será editado no próximo dia 3 de Maio intitulado More!, mais um com a chancela da Get Physical.

No site da banda já se encontra disponível uma amostra do que se poderá ouvir em More!.O tema chama-se «Regenerate» e para o poderem ter e escutar basta colocarem o vosso e-mail no sitio indicado para que possam fazer um download gratuito simples e rápido.
AbztraQt Sir Q com novo disco e novo vídeo
· POR André Gomes · 19 Fev 2010 · 16:53 ·
Já anda aí o primeiro single do segundo álbum dos AbztraQt Sir Q. Filmado nos estúdios da Meifumado, “Que Bien Ganado”é uma das canções que fazem parte da sua mais recente colheita, a ser editada em disco não tarda nada. A banda promete "irreverência e frescura em doses certas para afastar melancolias e aquecer o pezinho".

Enquanto não chega o álbum – intitulado Extimolotion – que conta com a produção de Zé Nando Pimenta e estará apenas disponível nas lojas a 29 de Março, podem ficar com o vídeo em estreia exclusiva no MySpace:

Os novos (com)passos de Lidell
· POR Rafael Santos · 17 Fev 2010 · 17:14 ·


Mais um grande regresso em 2010. Vez agora do senhor Jamie Lidell, excêntrico produtor britânico que ao longo da última década nos deu alguns dos mais estimulantes álbuns soul/ funk. O regresso em disco está previsto para o dia 17 de Maio, sendo a sua edição carimbada uma vez mais com o logotipo da Warp.

Compass, assim se chama aquele que será o sucessor de Jim de 2008, é o quarto álbum de Lidell desde que assina como tal. Neste novo registo, gravado algures entre a Califórnia, Nova Iorque e o Canadá, Jamie Lidell conta com as colaborações de Beck, Feist, Gonzales, Chris Taylor of Grizzly Bear e Pat Sansone (dos Wilco) e navegará nas eclecticas águas da soul, do funk, da pop, do rock e, naturalmente, da electrónica. Estes são os primeiros sons de Compass disponibilizado pela Warp:

Gala Drop abrem para Holger Czukay (ex-Can) com novo EP no horizonte
· POR Miguel Arsénio · 17 Fev 2010 · 17:11 ·


Velha escola e nova escola da electrónica expansiva encontram-se no Lux, de Lisboa, no próximo dia 9 de Abril, quando os Gala Drop abrirem para Holger Czukay, membro fundador dos históricos Can, a mais fértil árvore de kraut-rock, que ainda hoje serve fruto da sabedoria a tantas bandas de ambos os lados do Atlântico. Até ao Lux, Holger Czukay trará o habitual rodízio de sintetizadores e aquilo que alguns descrevem como ambient progressivo.

Afonso Simões, baterista dos Gala Drop, não esconde a entusiasmo em torno da ocasião: “Os Can são a minha banda preferida de sempre e considero o Holger Czukay um génio pioneiro da música electrónica (e continua a fazer música interessante passados 30 anos). Não sei se a admiração é consensual, mas sei que estamos todos entusiasmados por dar este concerto”. Acerca das novidades que os Gala Drop reservam para a ocasião, Afonso refere que “nessa altura já vamos ter o primeiro disco (homónimo) em vinil gatefold para venda, e, com um bocado de sorte, o EP também”.

As restantes novidades no terreno Gala Drop passam pelos avanços no tal EP: “A gravação/edição/mistura está a decorrer um bocado à semelhança do outro disco: lentamente e sem um compromisso de termos prazos a cumprir. Tem um lado muito bom, que é o de podermos deixar as músicas respirar e ir gravando overdubs lentamente e ver o que resulta (ou não) à distância. Desta vez temos um amigo nosso a gravar e misturar que é o Pedro Alçada, mas não sei se será mais ou menos produzido que o outro, porque ainda não começámos as misturas propriamente ditas.” Em jeito de conclusão, Afonso Simões acrescenta que “em duas das quatro que vão estar no EP usámos guitarras, algo que nunca tínhamos feito até agora”.
Real Estate dão três em Portugal pela pop psicadélica
· POR André Gomes · 16 Fev 2010 · 15:22 ·
Tanto quanto sabemos os Real Estate já estão por cá (chegaram algures entre ontem e hoje ao Porto) e não podemos deixar de dizer que este é sem dúvida um dos concertos mais aguardados destes meses que passam. Não só porque os Real Estate são a banda do senhor Matthew Mondanile AKA Ducktails, mas também porque o disco de estreia homónimo mostrou-nos o encontro de quatro tipos investigadores que tentam mostrar qual o papel do psicadelismo na música pop entre 2009 e 2010. No myspace deles é possível perceber do que estamos a falar. Hoje os Real Estate estão pelo Plano B, no Porto, pelas 22:30.

Amanhã repete-se a dose no Via Latina em Coimbra, e no dia 19 na Galeria Zé dois Bois, em Lisboa. E por dose queremos dizer isto, a não perder:

Inês Coutinho fala-nos de A.M.O.R., Ginga Beat no Lux e Violet
· POR Miguel Arsénio · 15 Fev 2010 · 12:30 ·


Inês Coutinho mantém a agenda muito ocupada entre diversos activos na música urbana (de Lisboa e do mundo) e a manutenção de uma imponente colecção de discos de Jay-Z. Mesmo assim, descobriu uma vaga para falar com o Bodyspace. Acerca dos avanços naquele que será o álbum de estreia de A.M.O.R., o híbrido que mantém com Honey e diversos colaboradores, Inês (também conhecida por Violet) adianta: ”Estamos a mais ou menos um terço das gravações das vozes - mas depois vamos ter um trabalho considerável em termos de pós-produção, arranjos e mistura. A nossa abordagem não mudou no sentido estrito, mas tem vindo a refinar-se, o que acaba por se sentir claramente na música. Sobretudo, chegámos a algum tipo de equilíbrio na nossa curva de aprendizagem em que estamos a fazer exactamente aquilo que queremos, o que nos permite ser fiéis à nossa visão sem nos depararmos com entraves técnicos nem falta de skills. As colaborações incluem o nosso DJ - o Núcleo, os beatmakers Mushug (Octa Push) e Marco (Photonz). Nas vozes vamos ter o Alex (Youthless), o Nerve e a Coco Solid (Paralel Dance Ensemble). Há mais um par de nomes que ainda são segredo”.

Antes de serem desvendados os segredos, haverá tempo para celebrar um ano de Ginga Beat, o animado programa de rádio, que, desta vez, vai ser gravado ao vivo a partir do Lux, de Lisboa, na noite de 25 de Fevereiro. Inês começa por descrever as origens do Ginga Beat: “Ainda é difícil acreditar que já gravei mais de 50 programas focados nas novidades relevantes da cena nacional. Olhando para trás, parece-me que, ao invés de ter que nadar contra a corrente fui trazida até aqui por uma força consistente. (…) Toda esta visão integrada a que o programa me trouxe começou na Red Bull Music Academy, na qual fui participante em 2008, e onde tive a minha maior epifania musical: acreditar verdadeiramente numa cena nacional com importância global. (…) Tem sido uma honra ter a oportunidade de espalhar a palavra sobre o talento que há por cá, bem como trabalhar com pessoas que admiro a sério: Rui Miguel Abreu, Kalaf (ex-Ginga beat), DJ Mpula, DJ Ride e a crew da RBMA num projecto que faz todo o sentido no panorama actual”.

Depois ficamos a saber um pouco mais sobre o elenco da noite: “A celebração do aniversário do Ginga Beat vai ser enorme! Convidámos vários artistas que condizem em tudo com a estética sónica do programa: Hudson Mohawke, Martyn, Photonz e Octa Push são só alguns deles. A transmissão em directo do programa vai ser uma inovação, especialmente se tivermos em conta o formato pouco convencional do Ginga Beat. E depois, é no clube mais emblemático da cidade - what's not to love?”.

Além de tudo isto, Inês Coutinho prevê para breve um maior empenho no que vai fazendo por conta própria. “Quando o disco de A.M.O.R. estiver pronto, vou começar a ter mais espaço mental para a Violet. Na sequência das edições do ano passado, que foram colaborações que me enriqueceram muito, tenho agora vontade de levar adiante as minhas ideias duma maneira mais solitária, em que posso deixar fluir a minha inspiração das maneiras mais estranhas sem ter que me preocupar com mais nada - e nesse sentido quero explorar sobretudo a parte da produção, que é uma paixão desmesurada que eu tenho, embora ainda sinta muita insegurança relativamente às minhas faixas. No fundo sei que só preciso de mais tempo e compromisso para conseguir chegar ao som que toca na minha cabeça, e nessa altura gostava de editar um EP essencialmente instrumental - já comecei algumas faixas, mas só vou conseguir finalizá-las quando este primeiro grande projecto das A.M.O.R. tiver chegado a bom porto”.

“Os discos em que entrei no ano passado foram 2: o primeiro foi o EP da Subeena, produtora de Londres, com quem fiz amizade na Red Bull Music Academy e que entretanto já editou um single na Planet Mu e abriu a sua nova editora, a Opit. A faixa chama-se "Znare", saiu pela já extinta Imminent Records e é resultado duma colaboração que aconteceu na academia em Barcelona. O segundo foi uma compilação da editora inglesa Senseless, na qual a faixa "Click" entrou depois do DeVille, um dos heads da editora, me ter convidado para rappar num instrumental dele. Essa compilação saiu em 2 volumes e entram pessoas como os Foreign Beggars, a Warrior Queen, o Kanji Kinetic, os Octa Push (a remisturarem a Click) ou o Starkey. Passado um ou dois meses decidiram fazer um 12'' com 3 das melhores faixas das compilações, o que me valeu estar a rappar num disco no flipside da Warrior Queen remisturada pelo Starkey e ao lado de uma faixa linda - e Zombylike - do Saratis. Vale o que vale, mas foi muito divertido e a faixa ainda me soa muito bem”.
Sleeveface: Leonard Cohen - Songs of Leonard Cohen
· POR Tiago Gonçalves · 13 Fev 2010 · 15:31 ·
© Pedro Gonçalves



“Suzanne” é a primeira faixa nesta estreia discográfica de Leonard Cohen, aquele a que tanto chamam poeta como compositor, com igual probabilidade e displicência. Aquela displicência rara, de boa, porque sendo uma coisa ou outra ele é artífice entre os melhores, e não vale muito a pena tentar acolher preferencialmente uma das qualificações. Mas “Suzanne”, ó, “Suzanne”. Os melhores artífices ensinavam os alunos, e eram apelidados de mestres. Leonard Cohen foi mestre com propriedade, sobre mulheres, isto é, a nossa relação com elas, ou a relação delas connosco – o que para ele são coisas diferentes e uma delas tangível – e tanto que aprendemos com ele. Tal como foi mestre sobre religião. “Suzanne” toca nessas duas temáticas. Mas Leonard Cohen não foi sempre poeta e compositor, foi só poeta adolescente antes de ser poeta e compositor trintão. Se não fosse assim, seria possível existir esta “Suzanne”? Seria, seria, mas cremos isso muito improvável, porque a tentar subir essa montanha, muitos morreram pelo caminho. Suzanne, não a música, mas a mulher, a rapariga que lhe serve de musa, tem o intricado e o misterioso que faz parte um pouco de toda a carreira de Cohen. Em 1968 “Suzanne” foi uma composição que ficou como primeira faxa do primeiro álbum de Leonard Cohen. Se só aqui há referência a “Suzanne” quando todas as restantes músicas estão quase ao mesmo nível? Hoje, sim. Para que quem leia este texto tenha tanta compaixão pelas restantes, que as vá ouvir imediatamente.

Sleeveface: Sérgio Godinho - Pano-crú
· POR Simão Martins · 12 Fev 2010 · 12:56 ·
© Pedro Lopes

Sérgio Godinho
Pano-crú

1978

Era 1978. Volvidos três anos da ditadura e com dois álbuns editados desde então, Sérgio Godinho era já uma figura incontornável da música portuguesa. Mas talvez por se ter colado antes às artes que à política, a sua obra nunca foi absolutamente intervencionista, como acabaria por suceder no caso de Zeca Afonso. Em Pano-crú encontramos de tudo um pouco. “O galo come faisão/a galinha é quem o assa/e o pobre do pinto passa/passa uma fome de cão/e o galo come faisão” é uma das estrofes de “O galo é o dono dos ovos”, tema revisitado em O Irmão do Meio (2003) e uma das mais sublimes alegorias políticas deste músico do Porto. Já “2º andar, direito”, mostra que há uma veia lamechas em Sérgio Godinho, cantor, actor e poeta que assenta a sua música nos poemas que escreve – peço a atenção para os mestres da métrica: o método pelo qual consegue encaixar toda a letra na canção, sem desaires. Há, geralmente, dois tipos de compositores nestes moldes: os que desenvolvem uma linha musical a priori e só depois sobrepõem a letra e os que, como Sérgio Godinho, partem das palavras para os sons. E fá-lo como poucos. Basta dizer que Pano-crú inclui “O primeiro dia”, uma das melhores canções de Sérgio Godinho. Desde então, o refrão da música começou também a ser utilizado várias vezes como o refrão da nossa própria vida: o primeiro emprego, primeira mulher, primeiro filho. O primeiro dia do resto da nossa vida. Génio, genialidade, verdade, como que sugeridos por Sérgio Godinho. Pano-crú até pode nem ser o melhor disco do cantor. Mas, como a primeira música do álbum sugere, “a vida é feita de pequenos nadas”, não é assim?

Sleeveface: Spirit - Spirit
· POR Nuno Leal · 11 Fev 2010 · 13:10 ·
© Marcelo Melo


O homónimo disco de estreia dos norte-americanos Spirit é um dos maiores legados de toda a euforia psicadélica de finais de 60 na Califórnia. Naquela altura, era talvez o lugar no mundo com mais bandas por km2 e como é óbvio, a maior parte delas fazia mais do mesmo, o que, com o tempo, tornou a sua herança sonora algo datada. Mas isso não acontece com a banda de Randy California, Cassidy, Locke, Andes e Ferguson. Porque o seu som, apesar de muito “sixties”, mistura rock com jazz, blues, folk, clássica, étnica, caldeirada rara na altura que acrescenta algo de eterno a esta música. Talvez o primeiro “Art rock” da história. Spirit é acima de tudo o espírito de estar à frente do seu tempo, quer na música, quer nos temas. Fala-se já de ecologia no maravilhoso “Fresh Garbage”; da frieza do futuro em “Mechanical World”, tema que antecipa os dias em que vivemos. Ambos os temas demonstram o talento, do aqui ainda “teenager” Randy California, em construir uma música à volta de um riff carregado de “overdubs”. Randy é um dos "masters" desta técnica, um dos grandes guitarristas esquecidos da história. Aos 15 anos foi convidado por Hendrix para se juntar à sua Experience, tendo sido o próprio Jimi quem lhe deu a alcunha “California” para o distinguir de outro músico Randy que era do Texas. Hendrix sabia que aquele puto Randy ia ser um guitarrista à frente do seu tempo. Que o diga o belíssimo “Taurus”, de onde Jimmy Page dos Led Zeppelin, anos mais tarde, fã confesso dos Spirit, tiraria os acordes iniciais de “Stairway to Heaven”. Ouvir para crer. E como todas as grandes bandas, reinava algum espírito de família em torno dos seus músicos. Ainda para mais, quando o baterista Ed Cassidy era mesmo padrasto de Randy. Bem mais velho do que todo o resto do grupo, Ed, o calvo (na altura nada rock-fashionable), experiente e sobredotado baterista de jazz que havia tocado com Taj Mahal e Ry Cooder, é o perfeito pêndulo harmónico e engrenagem pré-motorik que torna os Spirit tão especiais. "Mighty" Ed, que tanto acompanha em letargia ácida o psych-hymn “Girl In Your Eye” como arranca no comboio jam de “Free Spirit”. Tudo partes de um dos primeiros 4 grandes discos de uma banda infelizmente esquecida ou nunca decorada em tantas memórias. Estamos sempre a tempo. É esse o espírito.

MGMT distribuem felicitações sem singles
· POR Rafael Santos · 11 Fev 2010 · 07:27 ·


Passados dois anos sobre a edição do álbum de estreia, Oracular Spectacular, o colectivo norte americano MGMT de Andrew Vanwyngarden e Ben Goldwasser, está de volta aos originais. O novo disco, com lançamento previsto para Abril, chama-se Congratulations, e além da produção da própria dupla, contará ainda com a colaboração (também a nível de produção) de Sonic Boom de Peter Kember (Spacemen 3, E.A.R., Spectrum).

Congratulations é, segundo o press-release, um conjunto de nove temas que procuram ter uma temática especifica que expanda o potencial da banda e a visão que têm do universo pop. Aguardado com alguma expectativa, este segundo disco de originais terá uma particularidade relacionada com a edição de singles. Segundo o grupo, não haverá qualquer tema a ser extraído deste novo álbum. O objectivo? Ben Goldwasser explica de forma simples: "We'd rather people hear the whole album as an album and see what tracks jump out rather than the ones that get played on the radio – if anything gets played on the radio!".
Sleeveface: Leadbelly - Sings Folk Songs
· POR Nuno Catarino · 10 Fev 2010 · 11:59 ·
© Sofia Ferreira

Muita gente terá ouvido falar pela primeira vez de Huddie Ledbetter, mais conhecido por Leadbelly, por volta de 1994, quando Kurt Cobain cantou “my girl, my girl, don't lie to me, tell me where did you sleep last night”. Os Nirvana gravavam o MTV Unplugged mais famoso de sempre e, além de covers de Bowie, Meat Puppets e Vaselines, incluíam esta versão do velho cantor. Por aí muitos descobriram Leadbelly, cantor de voz forte, viajando entre os blues e a folk, exímio na guitarra de 12 cordas, senhor de muitas histórias (e muitas prisões). Neste disco, Sings Folk Songs, Leadbelly tem a companhia de um trio de luxo: Woody Guthrie, Cisco Houston e Sonny Terry – que se ocupam da harmónica e “back vocals”. O título diz tudo, Ledbetter aplica-se a um conjunto de canções folk da sua autoria, só composições originais. Alternando entre diversos registos, as canções mostram uma delicada concentração de expressividade e emoção. Este disco revela, por um lado, um Leadbelly altamente politizado, numa época em que Dylan ainda não tinha roubado o protagonismo - “We shall be free” é o exemplo mais evidente. Há também uma certa religiosidade, ou reflexão sobre a morte, expressa no medley “Good Good Good (Talking, Preaching) / We Shall Walk Thru the Valley”, com uma impressionante primeira parte “a capella”, seguida por uma segunda parte cantada sobre a caminhada “pelo vale das sombras da morte”. Lead Belly (grafia alternativa mas também válida, e preferida pelo músico) passa também necessariamente pelas questões de saias, em canções como “Keep your hands off her” (só o título é uma perigosa ameaça). São canções da terra, canções de vida e de morte, Leadbelly no seu melhor.

Sleeveface: Madvillain - Madvillainy
· POR Miguel Arsénio · 09 Fev 2010 · 13:15 ·
© Mauro Mota


No cinema, o Fantástico ensinou-nos a desconfiar da morte do vilão, mesmo que o seu corpo esteja dividido em cem pedaços espalhados pela lagoa. É estranho perspectivar Madvillainy como uma ressurreição logo na primeira iniciativa conjunta de Madlib e MF Doom, mas estes 22 temas (sem refrão ou hook fácil) mais não são do que versículos altamente citáveis do manual dedicado ao mais autêntico hip-hop. E todo este conceito do álbum-vilão adequa-se perfeitamente a MF Doom, o MC em vigília permanente, e a Madlib, o super-produtor omnisciente, que não dorme para viver mil vidas nos seus discos. Juntos formam um vingador inédito chamado Madvillain. Isto explica também a máscara numa capa que presta subtil homenagem ao debute homónimo de Madonna (também ela um camaleão imortal). Não deixando nunca de ser um álbum de hip-hop, Madvillainy pode ser comparado a muitas outras coisas: a um videojogo ritmado (“Do not fire!” sampla a sonoplastia de Street Fighter II); a um filme formalmente livre (noutras ocasiões, Madlib filma a sua música sob o pseudónimo de Beat Konducta); a uma série de 22 vinhetas de banda-desenhada (reparem no imaginário); ou até a uma antologia não declarada de outros (a extensão que os DJs utilizam para deixar pistas obscuras aos seus pares). Num tempo (2004) em que o único propósito do género parecia ser a sua eficiência comercial na internet, rádio e televisão (com a tomada de posse sulista dos Outkast, surgida após o reconhecimento de terreno efectuado pelos Goodie Mob), Madlib e (MF) Doom comprovam, assim, a versatilidade do hip-hop como camuflagem para quase todo o tipo de narrativas. Até esse manifesto surge disfarçado num disco perfeitamente lúdico. Valeu a pena resistir a alguns empurrões para comprá-lo por sete euros e meio nos saldos da Flur.

Sleeveface: Tim Buckley - Goodbye and Hello
· POR André Gomes · 09 Fev 2010 · 00:16 ·
© Angela Costa

Goodbye and Hello vive muito bem na sua condição de pérola esquecida do folk-rock. À semelhança do seu autor, continua, quarenta anos após o seu lançamento, verdadeiramente disponível para ser descoberto. Tim Buckley era um camaleão; de disco para disco reinventava-se, fugia à sua própria sombra. Em Goodbye and Hello, Buckley camufla-se a toda a hora sempre sob direcção de um psicadelismo que na altura era modus operandi acessível aos mais exploradores. Em duas mãos cheias de canções, Tim Buckley tira um retrato tão perfeito da época que nem com a passagem do tempo perdeu um pingo de actualidade. A culpa será da qualidade lírica dos textos, da pertinência dos arranjos, de canções como “I never asked to be your mountain”, ferida no seu orgulho e à procura de uma salvação à morte, de uma poção para a eternidade. Ainda que não pareça pela sua condição angustiada, Goodbye and Hello faz-se um conjunto de canções de peito cheio; plenas de vida e celebratórias, apetece dizer. Mas nem só de canções de pulmão aberto vive Goodbye and Hello. “Once I was” é, na sua simplicidade, na sua escassez de recursos, prova evidente do talento em forma bruta mas apurada mas apenas uma face de um disco violento no seu querer, eterno na sua condição exploradora e aventureira. Ao lado de Tim Buckley e Blue Afternoon, Goodbye and Hello forma um dos trípticos mais felizes e entusiasmantes dos anos 60.

Aleluia, irmãos! Joe McPhee e Chris Corsano vão ao MusicBox
· POR Nuno Catarino · 06 Fev 2010 · 16:39 ·


Poderá ser visto como um confronto de gerações, mas essa não será a forma mais correcta de se analisar a relação musical entre Joe McPhee e Chris Corsano. Apesar do inevitável "generation gap", são dois pontas-de-lança do jazz avançado e da música improvisada do nosso tempo e a sua colaboração pressupõe princípios de partilha, entendimento e união, sempre respeitando a liberdade da improvisação. McPhee já é lenda (desde os early 70s, desde o histórico Nation Time e com estatuto consolidado na sua imparável discografia) e Corsano, apesar da idade, vai pelo mesmo caminho (é incrível a sua capacidade de participação em múltiplos universos sonoros, de Paul Flaherty aos Sunburned Hand of the Man, de Mick Flower a Evan Parker, é notável a sua capacidade de absorver referências). Já sabíamos que eles iam aparecer por aqui, em duo, e até já sabíamos o dia: 12 de Março. Faltava apenas saber onde. Vai ser no MusicBox, o espaço/bar/discoteca do Cais do Sodré que ainda deve estar a recuperar da devastação provocada em 2007 pelos Borbetomagus. No dia 12 de Março vamos assistir a uma sessão de combustão sonora, jazzística e não só. E apostamos que vai ser um dos grandes concertos do ano.
Frango de regresso aos palcos e com "meia dúzia" de discos por editar
· POR Pedro Rios · 05 Fev 2010 · 19:52 ·

Vítor, seguimos rumo ao infinito?

Já tínhamos saudades dos Frango. Com os Loosers e os Tropa Macaca, formam a santíssima trindade do rock desafiante português da actualidade. A dupla Vítor Lopes-Rui Pedro Dâmaso regressa amanhã aos palcos (curiosamente na mesma noite em que os Loosers também o fazem), no Festival Terapêutico do Ruído, no Musicbox, em Lisboa, e volta a actuar nos dias 12, 13 e 14 no Teatro de Ensaio, no Barreiro, no Mercado Santana, em Leiria, e no Passos Manuel, no Porto, respectivamente.

Perguntámos a Rui Pedro Dâmaso por que é que os Frango andam mais parados. "Não sei se andamos a tocar menos, os concertos de Frango geralmente surgem assim, por surtos", responde. "Já no ano passado tocámos poucas vezes, comparativamente a 2008. De qualquer maneira, estamos a preparar uma tour pela Europa, que é capaz de acontecer na altura do Verão".

O músico, que assina também trabalhos a solo como PCF Moya, admite, porém, que têm andado ocupados, tanto com o festival Out.Fest, como com a associação cultural OUT.RA, que tem organizado vários concertos. "Estes hiatos acabam por ser interessantes porque quando voltamos à carga acabamos sempre por fazer algo um bocado (ou bastante) diferente do que estávamos a fazer antes de abrandar o ritmo", refere.

É por estas razões que o calendário de edições também tem estado mais calmo, apesar de terem "em arquivo uma boa meia dúzia de coisas para sair". "Falta um bocado de tempo para organizar e definir o quê e por quem, até porque temos recebido muitos convites de editoras interessantes nos últimos dois anos. Esses lançamentos abarcam umas três ou quatro fases diferentes do nosso som nesse período, ainda pouco documentado para o exterior (há poucas semanas colocámos dois novos excertos desses diferentes períodos no Myspace).

A banda do Barreiro planeia ainda um "disco de estúdio", "ou seja, não uma selecção de gravações, mas algo gravado e pensado propositadamente (ainda que seja ou não música improvisada) como uma edição específica".

Na mini-digressão dos dias 12, 13 e 14, os Frango estarão acompanhados pelos Golden Cup e por Maurizio Abate, dois músicos italianos da constelação Jooklo. No Passos Manuel, pode acontecer uma jam entre os três projectos.

Golden Cup é Luca Massolin, que "vive no Porto já há cerca de um ano, e tem lançado uns discos muito spacey á base de synths e bandolim ultra-processado. É ele que gere a editora 8mm Recordings". (Devemos acrescentar que Luca vive numa aprazível casa onde aconteceram já concertos de gente como Stellar OM Source, Mark McGuire e Steve Hauschildt)

Em 2009, Maurizio Abate lançou Mystic Strings, disco "que rasga ragas fantásticos por uma guitarra acústica não tão processada assim", descreve Rui.
Panda Bear cumpre segunda data no Lux
· POR Miguel Arsénio · 05 Fev 2010 · 19:50 ·


Numa medida de cordialidade para com quem não quer perder as novas canções de Panda Bear em primeira mão, a promotora Filho Único marcou uma segunda noite de celebração com o membro de Animal Collective para a noite de sábado, dia 13 de Fevereiro, no Lux de Lisboa. Isto após os bilhetes para 12 de Fevereiro estarem quase esgotados. Com a armada sul-americana do Benfica a marcar golos como aquele primeiro ao Leiria, só podemos esperar que ambos os concertos sejam carregados de inspiração. Recentemente, o próprio Noah Lennox já havia oferecido umas pistas sobre o que se irá passar no Lux. Os bilhetes para a segunda data serão colocados à venda nos mesmos balcões (Lux, Flur e Louie Louie) por igual preço. Infelizmente, o DJ set de Dâm-Funk não se irá repetir no dia 13 de Fevereiro por questões de agenda do homem do modern funk.
Jamie Stewart tem novo disco para os Xiu Xiu e um videoclipe não aconselhável a pessoas sensíveis
· POR André Gomes · 05 Fev 2010 · 00:00 ·
Sabíamos que a música dos Xiu Xiu era um soco no estômago para muita gente (sobretudo os primeiros discos, até o fantástico Fabulous Muscles inclusive), o que não sabíamos é que podiar dar a volta ao estômago de outros. Jamie Stewart tem novo disco e na versão LP do disco até distribui camisolas com "Xiu Xiu for life" em sangue humano e chocolates. Depois de Women as Lovers, Dear God, I Hate Myself (oh, pá, sei lá) é o novo disco dos Xiu Xiu, que prometem ameaçar os sonhos de muito boa gente. "Dear God, I Hate Myself" a canção tem um videoclipe não aconselhável a pessoas demasiado sensíveis; e tem Jamie Stewart a comer gelados e chocolates. A coisa é assim:

Prins Thomas edita álbum a solo
· POR Rafael Santos · 04 Fev 2010 · 15:48 ·


Seguindo os passos do seu companheiro Lindstrøm, Prins Thomas prepara-se para se estrear a solo no formato de longa duração. O álbum debutante chama-se apenas Prins Thomas e contará com 7 temas originais num alinhamento que se prevê estimulante já que além das investidas de quase 10 minutos pelo krautrock e pelo space-disco, habituais na sonoridade de Thomas, o disco contará com a simpática participação de Lindstrøm nos teclados e Todd Terje no trompete. O disco será editado pela Full Pupp no final do mês de Março.
Novo álbum de Ride brevemente à venda
· POR Rafael Santos · 04 Fev 2010 · 15:32 ·


Está confirmado. O novo álbum de DJ Ride será mesmo colocado à venda na próxima semana. Esta informação é veiculada pelo próprio Ride na sua página pessoal no Facebook. O disco chama-se Psychedelic Sound Waves e é o sucessor de Beat Journey, o mini-álbum editado no ano passado pela Optimus; é também o primeiro lançamento da nova plataforma editorial independente gerida por Rui Miguel Abreu e o próprio Ride: a Rockit Science.

Aguardado com alguma expectativa, o novo trabalho de Ride é descrito no press-release do disco como sendo “um intenso e solitário exercício de criação onde Ride se coloca no centro de um universo de possibilidades: música electrónica onde samplers e teclados vintage se cruzam num esforço para erguer um bounce próprio onde as regras pouco significam”. A coisa promete.
Novo single e vídeo antecipam o sexto álbum dos Groove Armada
· POR Rafael Santos · 04 Fev 2010 · 12:03 ·
Retirado do novo álbum intitulado Black Light, a ser editado no próximo mês de Março via OM Records, a dupla britânica Andy Cato e Tom Findlay revela aquele que é o segundo single do novo trabalho de estúdio do seu multifacetado projecto Groove Armada, o tema chama-se "Paper Romance" e conta com a participação especial de SaintSaviour e Fenech-Solr. O vídeo também já se encontra disponível no canal habitual, podendo ser visionado aqui:

Labrador tem três EPs no bolso e a África pela cintura
· POR André Gomes · 02 Fev 2010 · 23:57 ·


Labrador, que é como quem diz Luís Teixeira, anda a fazer das suas. Musicalmente irrequieto, o senhor que é metade dos Nimai, tem novo material para ser ouvido muito em breve. Nós fazemos a estreia em exclusivo de um dos temas do seu novo EP, a ser apresentado no próximo sábado no Passos Manuel, no Porto. Fomos falar com Luís Teixeira para saber mais dos seus projectos futuros e ficamos a saber muita coisa.

Conta a próprio: "bem, como sabes, mais ou menos desde antes do Verão passado voltei um bocado costas aquilo que andava a fazer desde 2005, estava mesmo a precisar de uma mudança. Não sei se foi por causa do calor ou de outras forças mas acabei virado para batidas, explorar algo à volta da dança", confessa.

Luís Texeira avança com mais informação: "acho que o som que agora estou a fazer é das coisas mais naturais que gravei, as músicas são todas feitas mais ou menos rápido, é um processo bem intuitivo... talvez por ter esta coisa da dança dentro de mim já faz tempo. Cheguei a fazer meia dúzia de lives orientados mais para o Disco mas acabei neste Africa Por La Cintura, algo bem mais techno talvez, não curto muito colar uma etiqueta. Mas é engraçado por apesar de não ter nada a ver com os meus temas antigos, sinto que a aura está toda lá, a náusea, aquilo que "digo" é mais ou menos a mesma coisa, escrito de uma forma diferente, só que nestes temas dá para abanar o corpo, e isso é sempre bom", afirma, entre risos.

"A minha ideia será ir lançando EPs, neste caso o Africa Por La Cintura, tema de apresentação mais sólida daquilo que agora ando a fazer", afiança Luís Texeira. "A ideia dos EPs é poder editar por exemplo dois edits dum mesmo tema, arranjar os sons de uma maneira diferente, e não estar sempre à espera de vários temas para fazer um álbum, evitar aquele "vazio" do pós-álbum...", termina.

Luís Texeira resume parte da notícia que temos para vocês: "no próximo sábado, depois do concerto do Cavalheiro faço a apresentação oficial de todos os meus temas novos no auditório na noite do "Close Up" e o Africa Por La Cintura já lá estará para quem o quiser levar. E "Close Up" é uma exposição de trabalhos dos alunos finalistas da Faculdade de Belas-Artes da U.P., da qual farão parte, também, um catálogo e um ciclo de conferências que propõem a reflexão e a discussão de temas relacionados com este fim de ciclo na vida de um estudante.

O tema que temos em exclusivo é metade do EP que tem dois temas, a parte 1 e dois desta coisa de se ter África pela cintura. É para ouvir aqui:


Labrador - Africa Por La Cintura Part 1 [mp3]

À espera de Voluspa
· POR Simão Martins · 02 Fev 2010 · 23:33 ·
Pouco noticiados por cá, os Golden Filter preparam-se para lançar o primeiro álbum, Voluspa, em Abril deste ano. O duo nova-iorquino, formado em 2008, enquadra-se perfeitamente nos moldes da electropop mais fresca que pode haver, revelando métodos e opções musicais que só beneficiam quem opta por eles: simplicidade, objectividade e muita, muita sensualidade. Talvez por metade do projecto ser Penelope Trappes, australiana de gema que teima em não deixar a coisa arrefecer. Detectámos o início de percurso deste projecto há dois anos, com "Solid Gold", o primeiro de três singles fortíssimos, pouco ou nada diferenciáveis entre si. Mostra coesão e certeza no que se faz ou, para os que fervem em pouca água, falta de criatividade.

"Hide Me" é o single de lançamento do disco mas é em "Thunderbird" que encontramos os melhores ingredientes que resultam da união de Penelope e Stephen Hindman: um sintetizador grave em constante harpejo, uma batida pouco dada aos devaneios mas extra-eficiente (por vezes até bem reverberada) e a voz Penelope Strappes, aveludada e cintilante. Venha Voluspa.

Nancy Elizabeth passa a ferro Lisboa, Coimbra e Tomar
· POR Miguel Arsénio · 02 Fev 2010 · 12:42 ·
Sem deixar arrefecer o ferro do último Wrought Iron, Nancy Elizabeth, folker aventureira com residência na britânica Leaf, volta a Portugal para uma mini-digressão, que tem paragens marcadas para Coimbra, no dia 25 de Fevereiro, Tomar, no dia seguinte para concerto no Theatro Bar, e no antigo Cinema Nimas, de Lisboa, quando o calendário marcar 27 de Fevereiro. Ultimamente, Nancy Elizabeth colaborou também com James Yorkston e com Susumu Yokota, o diversificado músico japonês que tem músicas para todos os temperamentos. Tal como Vashti Bunyan, Nancy Elizabeth também se recorda de como aprendeu a mergulhar:

The Mole junta-se formalmente aos Cobblestone Jazz. E o resultado é um novo álbum
· POR Rafael Santos · 02 Fev 2010 · 12:40 ·


Dois anos volvidos sobre a edição do bem sucedido álbum de estreia, 23 Seconds, o colectivo canadiano Cobblestone Jazz regressa com mais uma remessa de originais. Mas não só. Regressa também com uma nova aquisição. Assim, e além do núcleo fundador constituído por Mathew Jonson, Daniel Tate e Tyger Dhula, soma-se agora formalmente ao projecto o nome de um velho colaborador dos espectáculos ao vivo dos Cobblestone Jazz: Colin de La Plante, também conhecido por The Mole.

O nome do novo álbum, a ser editado pela !K7 no próximo mês de Março, chama-se The Modern Deep Left Quartet. Este será o segundo álbum de um colectivo que neste momento vive dividido entre Berlim e Vancouver e que se movimenta nos territórios ambíguos do techno e do deep-house, que é conhecido essencialmente pelas técnicas que usa inspiradas no jazz e pelas dinâmicas de improvisação ao vivo.

No ponto de escuta Bodyspace fica o muito recomendado 5º tema do alinhamento de The Modern Deep Left Quartet, chama-se «Fiesta».

Luís Lopes actua no Espaço APAV & Cultura a 12 Fevereiro
· POR André Gomes · 01 Fev 2010 · 16:52 ·
A APAV promove no dia 12 de Fevereiro, pelas 19h00, um concerto com o guitarrista Luís Lopes. Este evento tem lugar no Espaço APAV & Cultura, na Rua José Estêvão 135-A (ao Jardim Constantino), em Lisboa e tem como sempre entrada livre.

Luís Lopes é um guitarrista de filiação jazz, mas a sua música toca múltiplos universos, da improvisação total ao rock mais enérgico. Tendo recentemente editado os discos Humanization Quartet (2008) e What Is When (2009), aclamados pela crítica internacional, Lopes tem também colaborado com diversos projectos, como o seu novo Trio Lisboa-Berlim (com Robert Landfermann e Christian Lillinger). Nesta actuação a solo Luís Lopes vai apresentar um concerto “noise”, que o próprio músico classifica como “experiência/viagem”.
Os Sonic Youth têm datas marcadas para Portugal e já começamos a contar os dias no calendário
· POR André Gomes · 01 Fev 2010 · 14:27 ·
É em Abril. Dias 22 e 23 de Abril não vamos querer ouvir falar de mais nada senão do concerto dos Sonic Youth em Portugal, no Coliseu de Lisboa e Porto respectivamente. Neste preciso momentos são as duas únicas datas no myspace dos norte-americanos, como que nos chamando para a efeméride. A última vez que cá estiveram foi numa memorável edição do Festival de Paredes de Coura mas agora o motivo é outro: The Eternal, belíssima colecção de canções de rock sem regras. É uma das melhores notícias dos últimos tempos e não podíamos perder a oportunidade de deixar aqui por estas páginas o vídeoclipe de "Dirty Boots":



“Rocket” antecipa Head First, dos Goldfrapp
· POR Nuno Quintas · 01 Fev 2010 · 10:07 ·
Dez anos, cinco álbuns. Desde Felt Mountain que os fãs continuam à espera de um Felt Mountain Part 2... e os Goldfrapp continuam a decepcionar os que querem mais do mesmo. Ora, quem ouviu os quatro sucessores do álbum de estreia sabe que poucos ousam explorar como eles as armadilhas do glamour, da decadência, da obsessão e da solidão — e que o muito vilipendiado Black Cherry não era mais do que a extensão natural, naturalíssima, do que era subterrâneo em Felt Mountain.

Enquanto não chega 22 de Março, data de lançamento do novo Head First, afiam-se facas com o primeiro single. “Rocket” pode ser uma sessão espírita dos anos 80 com os Van Halen à mesa, ou um exercício de pop subversiva sobre uma relação que vai prò espaço.

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