Dezembro 2010
Últimas canções para 2010 | James Blake "Limit To Your Love"
· POR Paulo Cecílio · 31 Dez 2010 · 15:47 ·


Não é a última canção a ouvir em 2010, mas a primeira a ouvir em 2011. Ainda é muito, muito cedo para se dizer que James Blake e o seu disco homónimo irão definir o ano musical que aí vem - mas dizia-se o mesmo de Merriweather Post Pavillion e depois foi o que se viu. Os Octávios Machados que habitam por esse mundo fora e que conhecem bem os meandros da Internet sabem do que estou a falar. "Limit To Your Love" nas mãos de James Blake é um doce tão bom que até nos esquecemos de que não é um tema original. Aliás, nem sei mesmo de quem é. Leslie quê? Nunca ouvi falar.
Últimas canções para 2010 | Rick Ross feat. Jay-Z "Free Mason"
· POR Rodrigo Nogueira · 31 Dez 2010 · 13:56 ·


Porque Teflon Don tem alguns dos melhores beats do ano e porque, apesar de "Rawss" rimar com "Bawss" e essa rima ser totalmente legítima, a evolução do Rick Ross desde "Hustlin'" (que é malha, digam o que disserem) é maravilhosa. Não é um gigante, mas é bom. Aqui aparece ao lado do Jay-Z – e, por falar nisso, não é ridículo que ainda haja gente em 2010 com espaço na imprensa que exalte as (não-)qualidades dos inenarráveis cLOUDDEAD em detrimento do génio (sim, génio) Jay-Z? – e John Legend, que acaba algumas das frases do refrão do Ross em falsete de uma maneira deliciosa. Lembrei-me disto porque acabei de ler o Decoded, o livro do Jigga, um triunfo do início ao fim que é também uma carta de amor ao hip-hop e que o comprova como, basicamente, um dos grandes.
Últimas canções para 2010 | Lindstrøm & Christabelle "Baby Can´t Stop"
· POR André Gomes · 31 Dez 2010 · 13:35 ·


Lindstrøm e Christabelle sabem muita coisa. Sabem que esta canção pode muito bem ser a última a despedir-se de 2010, com o braço dado ao Michael Jackson em memória ou holograma. Sabem que pode também ser a primeira canção a ouvir já em 2011 para digerir todas as malditas passas que se acumularam no vosso sistema com as doze badaladas. Mas o mais importante é que esta pode muito bem ser a canção para mandar para o caralho tudo aquilo que 2010 trouxe de mau e tentar furar em 2011 para tirar a razão de quem tanto agoira o ano que se aproxima. Quem diria que poderíamos entrar em 2011 a ouvir bom disco de colheita recente.
Últimas canções para 2010 | Beth Gibbons "Mysteries"
· POR Rafael Santos · 31 Dez 2010 · 13:06 ·


Quero ir. Simplesmente ir. Tomar a liberdade por minha conta e ir. Subir com o olhar preso naquela pedra coberta de musgo aveludado, naquela árvore despida de preconceitos, naquela mimosa à espera da Primavera, naquele azevinho à espera das próximas chuvas, naquelas ervas que ignoro em dias insignificantes. Tudo naquele lugarejo possuidor de douta decoração, aquela perfeição que nos faz sentir tão simples, tão vivos, tão conscientes da nossa existência. Sentir, simplesmente. Não precisar mais que o vento a contornar o corpo, a brisa para tomar os sentidos. É tudo uma questão de ir e subir, subir mais alto. Escalar. O mistério de um objectivo significante. Escalar até ao topo daquele monte verdejante é um propósito que bloqueia qualquer outra vontade. Mas tudo agora, só agora. A vontade é estranha, mas cada tomada de ar puro leva a mais um passo decisivo. Chegar e contemplar os altos e baixos, os contornos, as silhuetas dos montes envolventes. Aquele ar, puro, verdadeiro, saudavelmente alucinante. Ir e chegar, subir e ficar. Ficar e olhar. Um olhar longo e penetrante. Mistérios da vida dispostos à minha admiração. Tudo tão verde e húmido, tudo tão genuíno e generoso. Beth, nunca te o disse, e agora me confesso: ajudas-me a ver a vida com outros olhos, inspiras-me profundamente, fazes-me sentir. É amor. Só pode ser amor, incondicional. Eu por ti e Deus por nós.
Últimas canções para 2010 | Curren$y "Breakfast"
· POR Nuno Catarino · 31 Dez 2010 · 12:11 ·


Pode ser a última canção de 2010 ou a primeira de 2011, o importante é lembrar que o pequeno almoço é a refeição mais importante. E que torradas com mel, ao que parece, são a melhor cura para a ressaca (depois confirmem se isto é mesmo verdade). Produzido por Mos Def, o tapete instrumental, marcado pelo omnipresente trompete etéreo, é doce como mel. A voz de Shante Anthony Franklin assenta como uma luva feita à medida, como uma luva de cabedal. A ressaca vai passar num instante e ninguém vai dar pela falta das torradas.
Últimas canções para 2010 | Drake "Fireworks" (Deadboy´s Slo-Mo House Edit)
· POR Paulo Cecílio · 31 Dez 2010 · 12:07 ·


Que seria de um final de ano sem fogo-de-artifício, seja ele o projecto megalómano madeirense, seja ele a bombinha de faísca inócua e importada que vizinhos passados temiam vir a incendiar o bairro inteiro? É aqui que entra "Fireworks" - não a versão original, que é uma bela merda mesmo com a presença de Alicia Keys, mas esta versão dançável vinda das mãos de uma das novas coqueluches do dubstep/uk funky/sei-lá mais-o-quê-não-percebo-um-boi-curto-é-dos-sons. De preferência de braço corpo dado a uma mulher enquanto se observa o céu que explode. E com moderação no que toca ao álcool, para que seja mesmo a única coisa a explodir.
Últimas canções para 2010 | The Simonsound "Tour de Mars"
· POR Rafael Santos · 31 Dez 2010 · 12:04 ·


Eis a homenagem do Bodyspace aos astronautas da Estação Espacial Internacional que apesar não andarem às voltas de Marte, têm a possibilidade vislumbrar ocasionalmente o planeta com o nome do Deus guerreiro romano com uma perspectiva que não necessita de estímulos extras. Talvez não tenham uma oportunidade de vazar uma garrafa de Jack Daniels ou uma daquelas vodkas russas capazes de encaracolar qualquer pelinho púbico. Talvez não, mesmo. Mas todos nós na Terra temos e, quem não for menino, vai aproveitá-la para saudar em delírio patético o ano novo enquanto pede desejos de prosperidade com os olhos fixos no infinito.

Numa coisa devemos invejar esses astronautas, e que vai bem para lá dos prazeres mundanos de quem sente muito bem os efeitos da gravidade terrena; só eles, lá em cima, poderão olhar para o vasto universo dos Deuses e brindá-lo, na hora certa, com um juízo sóbrio simultaneamente simples e apoteótico: como a humanidade é pequena apesar dos seus grandes feitos. Uma realização completa para um punhado de privilegiados. Salut!
Optimus Bailes Optimus prossegue em 2011 no Dia dos Reis
· POR André Gomes · 29 Dez 2010 · 16:26 ·
O dia dos reis vai ser Real Combo Lisbonense no Clube Ferroviário com os Optimus Bailes Optimus. A próxima edição do evento acontece como sempre no Clube Ferroviário, em Lisboa, e a festa costuma ser grossa. É já na próxima semana na quinta-feira dia 6 de Janeiro Dia dos Reis e esta edição conta com convidados muito especiais: a fadista Carminho e Jorge Cruz dos Diabo na Cruz. Os Optimus Bailes Optimus arrancam todas as primeiras quinta-feiras do mês às 22h30 com a presença de convidados especiais. A entrada tem consumo mínimo de 5 Euros.

O New York Times homenageou todos os sons que se calaram em 2010 e nós assinamos por baixo
· POR André Gomes · 29 Dez 2010 · 15:42 ·
Nós não o faríamos melhor. Literalmente. O New York Times homenageou todos os sons - as vozes, as guitarras, os baixos e outros - que se calaram em 2010 em carne viva - foram tantos e tão fundamentais - mas que ficarão, de uma forma ou de outra, registados em discos, mixtapes, vídeos ou nas cabeças de quem os quis lá alojar. Um belíssimo trabalho multimédia que partilhamos aqui neste final de 2010, uma colagem fúnebre de respeito e homenagem.



Lições da Red Bull Music Academy rumam ao Porto em Fevereiro
· POR Rafael Santos · 29 Dez 2010 · 14:48 ·
Depois de nos últimos anos ter respirado a vitalidade criativa de Lisboa (em 2008 e em 2009), a Red Bull Music Academy muda o azimute em 2011 e decide rumar a norte, mais concretamente para aterrar na Cidade Invicta. Será numa série de velhos armazéns de tecidos, na Rua Cândido dos Reis, que academia assentará para espalhar ensinamentos e experiências singulares que fazem, directa ou indirectamente, a música, em tudo o que a envolve – influindo os desenvolvimentos tecnológicos dos softwares e hardwares –, a dar passos inteligentes para uma frente activa de liberdade conceptual.

Os objectivos, em concreto, são os mesmos de sempre – os tais que tem levado o evento a praças tão distintas como Roma, Berlim, Barcelona ou Londres – e que são dos mais "dificilmente" simples que pode haver: uma saudável comunhão de experiências e uma geral e muito aberta partilha de ideias entre vários protagonistas da música contemporânea, sejam eles DJ, produtores, promotores, editores, cantores, pedagogos ou demais “operários” que intervêm, uns de uma forma mais activa que outros, em movimentos culturais alternativos que têm na música um mero ponto de partida.

Este Red Bull Music Academy Porto Hub decorrerá entre os dias 8 e 12 de Fevereiro e contará com nomes de peso, do passado ou do presente (no que toca a partilha de experiências é completamente indiferente), como A Guy Called Gerald, velho guru do acid-house e um dos pioneiros dos primeiros dias do drum n’ bass, Appleblim, um dos lordes do dubstep de Bristol, Om’ Mas Keith, dos gigantes SA-RA ou o mister boogie-cool-funk, Dam-Funk.

Para quem queira saber mais sobre o tipo de evento que é o Red Bull Music Academy, o Bodyspace deixa aqui uma pertinente reportagem realizada em Março de 2009 a propósito do último RBMA em Lisboa, o LX Taster no LX Factory, onde podemos ver e ouvir organizadores, leccionadores e participantes (ou alunos) a elogiarem a liberdade física e espiritual que um evento destes proporciona à alma do melómano.

2011 arranca em grande na ZDB
· POR Nuno Catarino · 29 Dez 2010 · 10:32 ·
A Galeria Zé dos Bois decidiu apostar em grande no início deste ano novo. Durante o mês de Janeiro serão muitos e variados os motivos que nos vão obrigar a ir até à Rua da Barroca, no Bairro Alto. O ciclo de concertos 2011 arranca no dia 7 de Janeiro com a actuação de JP Simões. O autor de 1970 irá apresentar-se ao vivo acompanhado pela guitarra eléctrica de Afonso Pais, autor do luxuoso Fluxorama (jazz elegante, sofisticado e sem sebo). No dia 14 regressa mais uma edição da "Noite às Novas", espaço privilegiado para a descoberta de novos valores: actuarão Rudolfo, EITR, Robert Foster e Alek Rein. No dia seguinte, 15 de Janeiro, o influente minimalista Phill Niblock actuará ao lado de Gerd Stern e Katherine Liberovskaya. A 20 de Janeiro o "aquário" receberá talvez a maior enchente do mês: vêm aí os Japanther (se o nome não faz tocar campainhas é ver o vídeo ali em baixo), com o duo Shellshag na primeira parte. De regresso ao produto nacional, no dia 22 actua Nick Nicotine & His Mystical Orchestra, com Mike Styles na abertura. O mês encerra com outro nome grande, no dia 30 chegam os californianos OM, num concerto que vai contar com um solo do potente Gabriel Ferrandini na primeira parte. E agora vamos lá cantar as janeiras.

Zé dos Bois apresenta no dia 25... o tradicional concerto de Natal, com Legendary Tiger Man
· POR Hugo Rocha Pereira · 24 Dez 2010 · 00:38 ·
Em vez de renas, riffs e acordes de guitarra; no lugar do trenó, uma bateria. A partir das 23 horas, o Pai Natal tira o casaco e as calças vermelhas - pelo 10º ano consecutivo - para deixar as tatuagens à mostra e presentear as crianças que se portaram bem (ou mal!?) durante o ano com uma sessão de one man blues e rock band. Fuck Christmas, I Got The Blues é o título de um dos álbuns de Legendary Tiger Man. Será possível conjugar ironia com tradição?



Mais novidades 2011: DJ Kicks, Siriusmo, Kode 9 e James Blake
· POR Rafael Santos · 23 Dez 2010 · 11:08 ·
As novidades para 2011 continuam a pingar com a mesma frequência que a chuva fresquinha que está a molhar este Natal. Algumas das novidades passam por nomes já bem conhecidos. Comecemos pela !K7 que se prepara para editar mais um volume de DJ Kicks. Os convidados agora são os norte-americanos Wolf + Lamb e os Soul Clap que, e já em Março, alinharão em conjunto vários nomes seus conhecidos e apreciados como Lee Curtiss, Benoit & Sérgio, Tanner Ross, SECT, Deniz Kurtel, Slow Hands ou Greg Paulus. Pelo meio, e como é hábito no DJ Kicks, há uns quantos temas, originais inéditos ou remisturas, da responsabilidade dos convidados da !K7.
Quem também está de regresso aos originais é o alemão Siriusmo. O novo disco, que também é o segundo de originais, chama-se Mosaik e será editado em Março pela editora dos Modeslektor, a Monkeytown Records.
Saltando um mês, Abril águas mil trará novidades da Hyperdub. Volvidos 5 anos sobre o disco de estreia, também Kode 9 regressa aos discos de longa duração uma vez mais acompanhado por The Spaceape. Sabe-se pouco para já, mas garantido é o disco vir a chamar-se The Black Sun.

E já não sendo uma grande novidade, quem está bem mais próximo de editar o seu disco de estreia (07 Fevereiro) é o britânico James Blake, que entretanto já divulgou a capa do seu disco homónimo, tal como o alinhamento.


01. Unluck
02. The Wilhelm Scream
03. I Never Learnt to Share
04. Lindesfarne I
05. Lindesfarne II
06. Limit to Your Love
07. Give Me My Month
08. To Care (Like You)
09. Why Don't You Call Me
10. I Mind
11. Measurements

Para os mais distraídos, o Bodyspace deixa aqui o vídeo do belíssimo “Limit To Your Love” (um original de Feist), tema aperitivo que fará parte do tão aguardado disco de estreia de James Blake.

Carta a um dos últimos gigantes
· POR Nuno Leal · 20 Dez 2010 · 10:40 ·
© Andy Freeberg
Capitão,

Merda para 2010. Levou-te, Don Van Vliet. Nesse diazinho de 17 disseste à morte "She's too much for my mirror". Agora aos 69 anos e "Old fart at play", deixaste de ser pintor, com obra aclamada, abstracta-expressionista, neo-primitiva, que coloria na tela o que antes vociferava sobre o caos com palavras ácidas. "Neon meate dream of a octafish", réplica de máscara de truta de Screamin' Jay Hawkins em corpo caucasiano branco que ainda não adivinhava a esclerose futura, com cuja garganta libertavas a voz que irradiava o espectro mais hipnótico e absurdo do final dos anos sessenta. Continência Capitão, ouvi-te nas melhores horas e agora "The dust blows forward n' the dust blows back". Vai lá ter com o Zappa, tua alma-gémea de génio, "My human gets me blues", não é? Vai lá Houdini da tua Magic Band, como conduziste o circo da máxima experimentação até ao seminalismo de discos atrás de discos ficará para a história. És a persona por trás de grande parte de Tom Waits, Nick Cave, entre tantos outros. O verdadeiro Capitão América do free-blues, porque não só o jazz foi free, super-herói rouco, surreal poeta ímpar, o nosso "Zig Zag Wanderer". Meu caro "Ella Guru", foste, tiraram-nos a tua presença, roubaram-nos e a vida já não é doce como "Kandy Korn", mas a vida continuará, e tu Capitão, serás eterno em vinil, CD, mp3, certamente agora mais do que nunca "Safe as Milk",

um abraço deste teu "Mirror Man"

Antologias de Diplo e Boys Noize em Fevereiro
· POR Rafael Santos · 17 Dez 2010 · 19:27 ·

2010 está a dar as últimas, por isso mesmo as atenções focam-se no próximo ano. Sigam, então, mais algumas novidades para 2011. E começamos por Diplo e o seu fascínio pelos soundsystems, o dancehall e o reggae; um fascínio que o conduziu recentemente ao esquecido catálogo da velhinha editora britânica Greensleeves. Por lá encontrou um filão único de música da Jamaica prontinho a ser remisturado. O disco, a ser editado em Fevereiro, chamar-se-á Riddimentary e nele poderemos ouvir novas versões para velhos temas de Alpha & Omega Mocking Bird, John Holt, Joe Gibbs, Rankin Dread, Eek-A-Mouse, Prince Jammy, Gregory Isaacs ou Prince Far I. Tudo com aquele tratamento que Diplo já nos habituou.

Também em Fevereiro, e siga mais uma antologia para o escaparate, o projecto do alemão Alex Ridha, Boys Noize, irá editar uma compilação. Fruto de vários convites a amigos, que foram desfiados a programar o velho TB-303 e dele sacar uns valentes "drunfos" ácidos, Super Acid, assim chamar-se-á a coisa, nada mais pretenderá ser senão outra prova de amor pelo velho TB-303 enquanto se demonstra a vitalidade deste equipamento considerado, ainda hoje, uma fascinante ferramenta de trabalho para muitos produtores de música electrónica (apesar dos mais infundados vaticínios a anunciar a sua morte). A ser editado pela editora de Alex (Boys Noize Records), Super Acid contará no seu alinhamento com nomes como Joakim, Krikor, Erol Alkan, Shadow Dancer ou Feadz, além da óbvia presença de Boys Noise, um declarado amante do, nunca obsoleto, bass liner da Roland.
Trio Carter/Parker/Ughi ataca Lisboa e Porto
· POR Nuno Catarino · 16 Dez 2010 · 12:32 ·
Hoje à noite é no Maria Matos Teatro Municipal (Lisboa), amanhã à noite será na Culturgest Porto. O trio constituído pelo criativo saxofonista Daniel Carter, pelo extraordinário contrabaixista William Parker (monstro) e pelo versátil baterista Federico Ughi apresenta-se ao vivo em Portugal para dois concertos que prometem ser memoráveis. Estes concertos são programados pela Filho Único e está prometido um jazz aberto a todas as revoluções, música de fervilhantes ideias. Será algo pouco menos de imperdível, portanto. Aqui fica uma amostra daquilo que se pode esperar no Maria Matos e na Culturgest, uma versão "redux" com o duo Carter/Ughi.



Caribou, Lux, Lisboa, 13 Dez. 2010
· POR Gustavo Sampaio · 13 Dez 2010 · 00:41 ·
Reparámos nele precocemente, numa das preciosas compilações Dirty Diamonds, da Diamond Traxx, e descobrimos que se tratava de uma nova pele identitária para o projecto Manitoba. O canadiano Dan Snaith passou a assinar Caribou e deliciou-nos com dois excelentes discos lançados na Domino, a registar, The Milk of Human Kindness (2005) e Andorra (2007). Tornou-se conhecido nos circuitos das electrónicas mais ambientais e intimistas, mas ainda sem a aclamação generalizada que conquistaria bem mais recentemente, ao terceiro álbum, Swim, mais virado para a pista de dança e já com o selo da Merge, presença quase incontornável nas demais listas de melhores discos do ano da graça de 2010. É o momento perfeito, este, de balanços, listagens e afins, para o ver e ouvir ao vivo, no lisboeta Lux. Pouco tempo depois do lançamento de um Swim Remixes com releituras de Fuck Buttons, DJ Koze, entre outros, que poderá servir de mote para uma noite memorável de feérico desfile dos temas originais mas com espaço também para novos trilhos criativos, ao sabor do momento espontâneo. As expectativas são estupidamente elevadas! Exigimos, no mínimo, uma monumental epifania sensorial...

Vá lá, senhor: Rui Pregal da Cunha revela-nos o seu Super Disco
· POR Nuno Catarino · 10 Dez 2010 · 15:44 ·
Ele está de volta. Os Heróis do Mar há muito que estão defuntos, mas Pregal da Cunha é a voz do novo single d'Os Golpes, "Vá Lá Senhora", e amanhã pela tardinha vai ao Maria Matos. Pelo "Super Disco" já passaram Vítor Belanciano, Pedro Gomes, Rui Miguel Abreu ou Joaquim Paulo e agora é a vez do ex-vocalista dos Heróis do Mar. No simpático café-lounge do Maria Matos Teatro Municipal (o nome oficial é assim mesmo), vai falar sobre o disco de estreia da Dr. Buzzard’s Original Savannah Band, bicho esquisito de 1976. A entrada é livre e aqui fica uma amostra do que nos espera.

Maria Matos levanta o véu sobre o início de 2011
· POR Nuno Catarino · 07 Dez 2010 · 15:56 ·
Mais um trimestre, mais uma rodada de concertos no Teatro Municipal Maria Matos. O ciclo 2010 ainda nem se fechou, há quem salive pelo trio Daniel Carter/William Parker/Federico Ughi, e nós já estamos a abrir uma janela para o que aí vem em 2011. Como destaques, há uma segunda edição do "Fim-de-semana Especial" (com John Tilbury, Dustin O'Halloran, Alexander von Schlippenbach e Andrew Poppy), mais uma edição do ciclo "Palavras Desencarnadas", programado pela Associação Granular, e a conclusão do Sonic Scope #10 - os concertos de Sei Miguel e Santos/Raposo foram adiados por causa da greve geral de 24 de Novembro. Há ainda concertos em nome próprio dos Nurse with Wound com Blind Cave Salamander, o regresso dos históricos Osso Exótico (com a apresentação da peça O Pyrgo de Chaves) e o trimestre encerra com a actuação do compositor e guitarrista Ricardo Rocha, autor do aplaudido Luminismo. Ufa. Aqui fica a agenda completa e um aperitivo em forma de vídeo.

8 Janeiro: Nurse with Wound & Blind Cave Salamander
18 Janeiro: Sonic Scope #10 - Sei Miguel / Carlos Santos & Paulo Raposo
4/5 Fevereiro: Fim-de-semana Especial 2 - John Tilbury / Dustin O'Halloran / Alexander von Schlippenbach / Andrew Poppy
22/24 Fevereiro: Palavras Desencarnadas 3 - Inês Nogueira & Carlos Zíngaro / Médèric Collignon / Carlos Santos / Frances-Marie Uitti / Ute Wassermann
20 Março: Osso Exótico
29 Março: Ricardo Rocha

Moritz von Oswald Trio erguem novas estruturas, agora na horizontal
· POR Rafael Santos · 06 Dez 2010 · 19:49 ·


O ano de 2011, que está aí mesmo ao virar da esquina, não pára de anunciar aos quatro ventos as suas boas novas. Desta vez anuncia o regresso aos originais do projecto do alemão Moritz von Oswald e companhia, o Moritz von Oswald Trio – pois claro! –, já no próximo mês de Fevereiro. O novo disco, constituído por 4 temas (ou partes) designados por "Structure", chama-se Horiztonal Structure. Tudo muito semelhante ao primeiro disco editado no ano passado, o excelente Vertical Ascent, que também continha 4 temas que na altura chamaram-se "Pattern". Depois da fulminante ascensão ao estatuto de "culto" (em que a dinâmica live permitiu o surgimento de uma "aura mística"), esta mega-banda, que reúne a fina nata da electrónica experimental (Moritz von Oswald, ex-Basic Channel; Max Loderbauer (NSI); Sasu Ripatti (Vladislav Delay ou Luomo), regressa aos registos originais produzidos em estúdio depois de, já este ano, ter editado um disco ao vivo (gravado em Nova Iorque) onde contaram com a presença especial de outras duas figuras de proa da electrónica, os senadores Carl Craig e Francois K.

Este novo disco contará uma vez mais com o selo da Honest Jon's e antes de ser revelado ao mundo será antecedido por um maxi-single intitulado "Restructure 2" num pequeno alinhamento constituído pelo original no lado A e por uma remistura de Mala, dos Digital Mystikz, no lado B. Para aperitivo fica aqui o excerto (em stream) de "Restructure 2" já disponível no site da Honest Jon's.
dZihan & Kamien: perdidos, achados e separados
· POR Rafael Santos · 06 Dez 2010 · 19:43 ·


A música é feita de ciclos. E o que antes era interessante, pode a qualquer momento deixar de o ser. Veja-se este caso do duo dZihan & Kamien que ao longo de pouco mais de um decénio esmerou-se (especialmente em Freaks & Icons (2000) e Gran Riserva(2002)) no cultivo de elegantes texturas jazz num rico universo electrónico onde disco-sound e o house se imiscuíam com ritmos hip-hop vaporosos, dub requintado e sons étnicos nascidos algures entre Istambul e Bagdad. Isto até mudança de quadrante sonoro e a descoberta de novos pontos de interesse. Com o disco anterior, Music Matters, editado no ano passado, já se percebia que o paradigma da sua música havia mudado, tendo passado a escorrer pelas paredes do estúdio ideais pop/rock num novo contexto electrónico onde outrora corria um imaginativo veio de música em tonalidades downtempo. Se na altura não se previa o fim, era evidente que nada voltaria a ser o mesmo. Um ano depois, e tomada a consciência dos novos e distintos rumos sonoros, Vlado dZihan e Mario Kamien decidiram terminar a parceria e seguir cada um o seu caminho.

Como nunca há fim que não traga inéditos ou lados B, também os dZihan & Kamien decidiram subir ao sótão para esvaziar o baú das memórias perdidas. Lost & Found é o resultado. Disco duplo, já à venda, onde a duo compartilha com o seu público-alvo (sim, porque o disco destina-se a fãs) material que nunca chegou a ver a luz do dia. Todo este material foi produzido no zénite criativo do projecto. São ao todo 21 temas esculpidos originalmente entre 1998 e 2003. Lost & Found poderia estar empestado com aquele fedor a mofo que declara impiedosamente datado tudo o que anda perdido no tempo, mas não. A música no interior de Lost & Found, mesmo repescada, mantém-se viva provando que a ditadura do tempo nem sempre influencia a vitalidade de um produto com o mínimo de qualidade. Há redundâncias no alinhamento mas nada que ponha em causa a honrosa despedida de um projecto que procurou o melhor de dois ou vários mundos; um sincretismo inspirado, elegante, de bom gosto. Fica aqui a merecida homenagem do Bodyspace e a óbvia recomendação para presente de Natal para aquele amigo especial muito apreciador destes sons.

Do alinhamento de Lost & Found, escute-se "Unknwn", um dos momentos altos deste derradeiro disco.

Está aí o MUCO! O Cartaxo é já ali
· POR Nuno Catarino · 03 Dez 2010 · 01:06 ·
Tem o nome pomposo de Encontros de Música Urbana do Cartaxo, mas os amigos chamam-lhe MUCO. Este novo festival dedicado às músicas criativas e exploratórias arranca já hoje, sexta-feira, apresentando um conjunto de concertos e actuações de gente boa e bonita (curioso pormenor: já quase todos os nomes do programa foram entrevistados aqui na casa). Na noite de sexta actuam o quarteto de Sei Miguel (22h), Coclea (23h), Calhau! (24h) e The Projectionist’s Nightmare (01h). No sábado é a vez de Tiago Sousa (22h), Big Bold Back Bone (23h), Black Bombaim (24h), Just Jaeckin vs Sonja (01h) e Tra$h Converters (03). No sábado há ainda um Workshop de Circuit Bending por Miguel Pipa (15h) e uma Conferência sobre Músicas Urbanas, por Rui Eduardo Paes (18h). O programa promete muito, nós aprovamos, podendo é ir. Até este rapaz lá vai:

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