The Weatherman
Tertúlia Castelense, Maia
17 Jun 2006

Que The Weatherman, aliás Alexandre Monteiro, conseguiu com Cruisin’ Alaska um belo disco de canções pop (no sentido mais puro e, se quisermos, elogioso do termo) já se sabe. Os destaques como revelação do ano e como um dos melhores álbuns portugueses de 2006 são mais do que certos. Já quanto às actuações ao vivo, há reacções desencontradas. Por certo que os últimos meses de alguma rodagem fizeram bem a Alexandre Monteiro e à sua banda, porque aquilo a que se assistiu no Tertúlia Castelense foi um concerto competente e profissional (apesar de alguns problemas técnicos, que até atrasaram o seu início).

The Weatherman © Eugénia Azavedo

The Weatherman apresentou-se em formato acústico, com apenas dois músicos da banda que habitualmente o acompanha (André Tentúgal e Rui Valentim). Foi por isso um concerto dominado pelas guitarras acústicas, num modelo que despiu quase ao máximo as músicas, que ainda assim funcionaram e não perderam o seu lustro (e sabe-se que este é um dos testes mais precisos para avaliar uma boa canção). “In Front of Me” foi o tema de abertura e mostrou boa parte do que se ia passar: percussão suave (pandeireta e tarola), neste caso a lembrar ritmos oriundos da música popular portuguesa, e a intervenção episódica de uma melódica. Também se percebe desde logo que Alexandre Monteiro não é um “animal de palco”: é uma figura tímida (de casaco preto, com uns quantos pins bem indie), que prefere fazer-se valer da força das canções. Daí talvez o grito libertador em “I Sustain”, ritmicamente sustentada no timbalão e adornada pelos coros de Tentúgal e Valentim. De seguida, materializaram-se duas presenças inevitavelmente reconhecidas no universo Weatherman: os Beatles, em “Looking for Guarantees” (mais beatliano é impossível e o falsete fica-lhe a matar), e os Beach Boys, em “Keep up the Good Vibes” (com direito a assobio). “If you Only Have one Wish” foi introduzida com a frase “roubada” a Timothy Leary (“Se têm um grande desejo, que seja grande”) e depois vieram “For No One” (com apenas Monteiro em palco, na guitarra), cover dos Beatles a ser incluída numa compilação da Antena 3 a “sair em breve”, e “Floating Downwards”, inédito que talvez seja incluído no próximo disco.

A fechar, a muito viciantemente pop “One Of Us Is the Observer” e o single “People Get Lazy”, que até meteu palmas lá pelo meio. E assim acabou o concerto, sem encore, com os músicos algo aborrecidos com as dificuldades técnicas (que nem se notaram assim tanto) e com algum ruído de fundo do público do Tertúlia. Mas não há razão para chatices, porque é visível a olho nu que The Weatherman e a sua banda só têm um caminho: tocar tanto quanto possível, e dessa forma o crescimento é inevitável, porque o profissionalismo esta lá.

· 17 Jun 2006 · 08:00 ·
João Pedro Barros
joaopedrobarros@bodyspace.net

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