Der Gelbe Klang #5
Museu do Chiado, Lisboa
24 Mai 2006
Como é do conhecimento geral, o cubo é uma figura geométrica sólida com seis lados iguais. À partida, a ideia de cubo remete para algo rígido, inflexível, complexo – como esquecer o tormento que era o famoso cubo mágico? Não é, por isso, óbvio que seja um cubo o ponto de partida para uma sessão de improvisação sonora. Mas, já se sabe, os artistas estão sempre prontos a transcender ideias feitas. E o que será possível fazer com um cubo aberto?

“Open Cube” foi a designação da quinta sessão organizada pela Granular no Museu do Chiado. Reunindo três músicos oriundos de proveniências diferentes, esta quinta sessão do ciclo “Der Gelbe Klang” (“O Som Amarelo”) fez uma aproximação clara às formas de improvisação minimalista. Partido da utilização de electrónica em forma de drone infinito, a música alcançou o seu desenvolvimento pelas subtilezas da guitarra eléctrica. Com o auxílio do harmónio e diversos efeitos electrónicos (sempre em gestão mínima), a jornada sonora permaneceu como uma longa viagem uniforme, pontuada por pequenas intromissões e desvios.

A fusão entre os sons minimais de André Gonçalves, Filipe Leote e João Silva teve como principal mérito a coerência – sempre com a noção de minimalismo em mente, nunca caíndo na tentação de sonoridades discordantes. O contraponto multimédia (projecção vídeo a cargo de João Silva), foi acompanhamento ideal para o ambiente sonoro, através de uma imagem vídeo granulada manchada por contrastes e movimentos subtis.

Talvez a mais mortiça proposta até agora do ciclo “Der Gelbe Klang”, este “cubo aberto” questionou a utilidade da multiplicidade de sons e ruídos que nos envolvem. Não é fácil assistir a abordagens – como esta - mais radicais, mas há sempre a compensação de sairmos da sala com ideias e preconceitos postos em causa e a mente mais aberta.
· 24 Mai 2006 · 08:00 ·
Nuno Catarino
nunocatarino@gmail.com

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