Dienz Zithered/The Weatherman
Galeria Zé dos Bois, Lisboa
23 Mar 2006
The Weatherman, aliás, Alexandre Monteiro, ainda não sabe transpor de forma correcta o seu disco de estreia, Cruisin’ Alaska, para concerto. Tenta recriar as canções do disco com uma banda completa, mas isso ou é impossível ou ainda falta muito para ser concretizado. Os resultados, esses, são ou desastrosos, ou medíocres ou, raramente, verdadeiramente bons. Pelo menos a julgar pela sua estreia com banda em Lisboa.

Não é que não tente, e a culpa não é só dele. Falta mais experiência, mais tempo a tocar com aqueles músicos. E, a bem dizer, o som na Galeria Zé dos Bois estava dos piores dos últimos tempos naquela casa. Ou seja, tudo isso faz com que, efectivamente, corra tudo mal para o rapaz. Segundo relatos, os concertos no a norte correram melhor, mas este não. Talvez seja a falta de Pedro Chamorra, o produtor que, em conjunto com Alexandre, criou Cruisin’ Alaska. Talvez seja o facto de ainda estar tudo verde, pouco experiente. Ou talvez seja mesmo impossível transpor aquilo de uma forma prática ao vivo. Seja como for, chega a tornar-se embaraçoso.

O rapaz ainda não se sabe comportar ao vivo – é nervoso e não faz quase nada em palco, a não ser tocar e cantar -, tem um dos piores cortes de cabelo de sempre – que perdoamos quando ouvimos o seu bom disco -, diz frases menos felizes, como “Apertem os cintos porque vamos cruzar o Alasca”, algo que, para além de ser uma péssima tradução, não faz sentido nenhum e a sua banda – um dos maiores crimes – acha-se no direito de tirar a “If You Only Have One Wish” o riff de guitarra – totalmente britânico – do refrão (só se ouviu na última repetição do mesmo). Ora, isso é imperdoável. Imperdoável.

Nos momentos em que a coisa funciona, e bem, esquecemos o péssimo som do baixo que ou não se ouve ou soa mesmo mal e a banda funciona como um todo (“In Front of Me”) as harmonias de vozes não ficam más de todo (como em “Looking For Guarantees”), ou é só a sua guitarra acústica (“The Meaning of Soul”) e a sua voz (a novíssima – e boa – canção “Floating Downwards”). Nos momentos mesmo maus, até as suas melhores canções se tornam embaraçosas, sendo o caso extremo “One Of Us Is the Observer”, que se torna uma confusão. As harmonias de vozes raramente funcionam, há muita desafinação, há demasiados aspectos a limar e é impossível não se ter a sensação de que se está a ver uma banda de garagem de segunda categoria. Há elementos novos nas canções, a introdução de “People Get Lazy”, o single, é muito pior, e isto não devia ser assim. Cruisin’ Alaska merece mais. Pode ser que tudo mude um dia, que com o tempo vá ao sítio, mas ainda não chegou lá. É continuar a tentar.

Antes, Dienz Zithered, um duo alemão, trazia uma espécie de zither electrónica que, junta com batidas electrónicas, era interessante por aproximadamente 3 minutos, sendo uma óptima ocasião, ainda para mais com a sala muito bem composta como estava, para evitar as filas do intervalo e ir buscar bebidas ao bar.
· 23 Mar 2006 · 08:00 ·
Rodrigo Nogueira
rodrigo.nogueira@bodyspace.net

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