Secret Chiefs 3 - Jazz Em Agosto
Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa
05- Ago 2018
A noite ferve e o sentimento é o de uma celebração amarga. Estamos no último dia do festival Jazz Em Agosto, que cumpriu este ano 35 de uma saudável existência e que dedicou toda uma programação a um dos grandes ícones da história do jazz: John Zorn, homem que conseguiu atrair todo o tipo de subculturas para junto de si, de punks a metaleiros, de malta do rock erudito aos fãs de jazz mais acérrimos, até aos hippies da world music e os fritos da electrónica.

Subculturas essas que estão presentes - todas elas - na música que os Secret Chiefs 3 fazem desde há muito, assim como o estavam nos Mr. Bungle que Trey Spruance (também) ajudou a formar. Zorn não esteve fisicamente presente no último dia do festival, mas o seu espírito foi pairando sobre os oito músicos que se apresentaram no auditório ao ar livre da Gulbenkian. Até porque aos Secret Chiefs 3 foi confiada a honrosa tarefa de interpretar temas de uma das formações mais aplaudidas de Zorn: os Masada.

Ao calor que se fazia sentir juntaram-se, então, melodias judaicas e árabes, grooves quentes e ritmos ora tribais, ora furiosos, oferecendo a imprescindível sinestesia ao ambiente em que eram debitados. Se durante os primeiros dez, quinze minutos os Secret Chiefs 3 pouco mais foram que um bocejo, quando aceleraram não houve forma de os parar, entregando ao público a sensação de vertigem que este exigia e que foi sendo recompensada com aplausos e assobios diversos. A dada altura, olhamos para o palco - já depois de fechar os olhos, assolados pela música - e constatamos que todos eles sorriem, completamente entregues à alegria que é viver e escutar de tudo. Quando assim é, que mais há a dizer?
· 03 Set 2018 · 17:55 ·
Paulo Cecílio
pauloandrececilio@gmail.com

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