Marilyn Manson
Campo Pequeno, Lisboa
27- Jun 2018
Controverso, louco, o príncipe das trevas, the God of fuck, autor moral de Columbine, o homem que arrancou uma costela para chupar a própria piça. Sobre Marilyn Manson já se disse e escreveu de tudo. Sobre a sua música, também, embora nos últimos anos tenham sido poucos os meios que lhe têm dado guarida. Porquê? Talvez por medo de Manson. Talvez por medo de represálias se quem se posiciona anti-Manson. Talvez porque os seus últimos discos têm sido uma merda. Talvez todas estas respostas estejam correctas e haja outras por enumerar...

Mas antes disso, antes de ser merda, havia uma tríade maravilhosa a encher a cabeça de todos os adolescentes da segunda metade da década de 90 e da primeira da dos zeros. A saber: Antichrist Superstar, Mechanical Animals e Holy Wood, o rock no seu estado mais bruto - choque, asco, caos e violência - e uma certa poesia gótica a encher diários atrás de diários e mochilas atrás de mochilas por esse mundo fora. Durante esses curtíssimos anos, Manson foi uma espécie de um Deus para muita gente; o problema é que, como todos os Deuses, acabou por morrer.

Vê-lo ao vivo no Campo Pequeno, quase dez anos após a sua última passagem por Portugal, é quase um tributo nostálgico polvilhado com algumas doses de vergonha alheia. Ainda que, por entre os presentes, se vislumbrassem bastantes fãs da nova guarda, sobretudo do sexo feminino. Alguns deles, ou algumas delas, acabariam por subir ao palco em "Kill4Me", para um momento que teve tanto de divertido como de bizarro (uma rapariga tentou beijar o músico e este respondeu dizendo que não tocava nos animais, ou pediu para não tocarem no animal, um dos dois).

De resto, uma hora e pouco bastou para riscarmos Marilyn Manson da lista de concertos que deveríamos ter visto no seu auge. É certo que o som, demasiado amorfo, não ajudou; ele próprio tê-lo-à sentido, passando o tempo todo a atirar microfones de um lado para o outro. Só "Antichrist Superstar", malha militar que dá nome ao álbum com o mesmo nome e que é um chamamento às hordes satânicas de todo o mundo, soou a alguma coisa de jeito; nem "This Is The New Shit", "The Dope Show" ou "The Beautiful People" conseguiram salvar as honras da casa. "Só"? Desculpem: "Coma White", mesmo a fechar, conseguiu salvar o dia - romance gótico-janado com a ajuda de uma guitarra maravilhosa. Fora isso... A adolescência morreu mesmo.
· 04 Jul 2018 · 11:08 ·
Paulo Cecílio
pauloandrececilio@gmail.com

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