Angel Olsen
Galeria Zé dos Bois, Lisboa
17- Mar 2016
Burn Your Fire For No Witness tornou-a numa querida da crítica e do público, e Portugal não é excepção. Poucos meses após se ter apresentado na Trienal de Arquitectura e na Galeria Zé dos Bois, Angel Olsen voltou a Lisboa e voltou a esgotar uma sala, que se mostrou ansiosa por ouvir aquilo que ela tem andado a fazer durante a sua residência artística na ZdB. Ou, por outras palavras, sabemos que um concerto será incrível quando João Botelho nos agracia com a sua presença. Mas adiante:

Há algo nesta música, nesta voz, que de tão confessional nos deixa a braços com uma dúvida existencial daquelas: será Angel Olsen a nossa amante fictícia, ou a nossa irmã fictícia? Em ambos casos, a vontade de dela chegar perto e contar-lhe as agruras da nossa vida, ao mesmo tempo que a abraçamos pelas dela, é igual. A norte-americana subiu ao palco com as mãos frias, como nos disse, mas acabou a aquecer-nos a pele - e o que existe debaixo da pele, nomeadamente o coração.

Desta feita, não era Burn Your Fire... o prato principal, mas continuam a ser as canções desse disco quem mais puxam pelo público. Como "Iota", logo à segunda. Ainda que o seu registo vocal não estivesse, segundo os nossos próprios critérios, perfeito (para não dizer que havia momentos em que soava a uma bezerrinha), Olsen acabou por dar a despedida ideal ao inverno e à tristeza nublada em que vivemos durante meses. Devia haver gente a pedir a sua cara-metade em casamento nos concertos da menina, em vez de o fazerem nos espectáculos da Céline Dion Século XXI, mas...

A comunhão entre a cantora e o público foi notória. A primeira, com sua franjinha e sentido de humor apurado; os segundos, pelo entusiasmo que ora era bonito (uma sala inteira a cantar-lhe os Parabéns), ora era incompreensível (o gajo que lhe pediu para tocar Pearl Jam). No final, e apesar de ter sido um concerto relativamente curto, deu para perceber que o próximo capítulo da história de Angel Olsen tem tudo para ficar ao mesmo nível no primeiro, ainda que seja "White Fire" e seus sete minutos de agonia folk aquele que mais nos enche as medidas. Voltas em breve, Anjinha?
· 21 Mar 2016 · 21:53 ·
Paulo Cecílio
pauloandrececilio@gmail.com

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