PJ Harvey & John Parish - Optimus Clubbing
Casa da Música, Porto
02 Mai 2009
Se dúvidas houvesse, o concerto de sábado na Casa da Música provou à saciedade que PJ Harvey é dona de um culto assinalável em Portugal. Os bilhetes voaram mal foram colocados à venda e a plateia da apinhada sala Suggia da Casa da Música gritava euforicamente entre canções. Isto apesar de este não ter sido um concerto de PJ Harvey, mas sim do duo que mantém com John Parish.

Da discografia a solo de Polly Jean nem um tema se ouviu, com o prato único a consistir em temas dos dois discos que lá lançou com Parish, Dance Hall at Louse Point (1996) e o recente A Woman A Man Walked By. Harvey surge mais pacificada, menos "rockeira" (como parecia avisar, logo à partida, a falta de sapatos de taco alto, preteridos pelos pés descalços) e, culpa do algo desinspirado novo disco, frequentemente mais aborrecida do que no registo a solo, em que é, muitas vezes, brilhante.

Sintomaticamente, foi de Dance Hall at Louse Point que vieram a maior parte dos bons momentos, como "Taut", correria de guitarras-arame-farpado a lembrar Sonic Youth, "Urn with Dead Flowers in a Drained Pool", com um refrão explosivo (PJ Harvey em modo clássico) a contrastar com a economia de meios do restante tema, e "Rope Bridge Crossing".

Muitas das novas canções, por seu lado, pecam por alguma falta de ideias e arranjos excessivos. Mas ouviram-se duas excepções: "Sixteen, Fifteen, Fourteen", versão fêmea dos momentos mais folk dos Led Zeppelin, com Parish no banjo, e "The Soldier", com ukulele, melódica e piano esparso. Em suma, um concerto que oscilou entre o interessante e o meramente competente.
· 03 Mai 2009 · 21:37 ·
Pedro Rios
pedrosantosrios@gmail.com

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