Psychic Ills / Tropa Macaca
Passos Manuel, Porto
26 Set 2007
Na rentrée, o publico portuense, que parece cada vez mais estar em maré de boas relações com a cidade, soube - e bem - marcar presença num Passos Manuel sempre cuidadoso e interessante na sua programação. Após uma fase de uma certa redução na quantidade de concertos o Passos Manuel parece ser de novo a casa que a cidade merece, aquela que mais vezes recebe as propostas mais fora-da-lei. O espaço que em 2005 recebeu nomes como os Wolf Eyes, os Jackie-O Motherfucker, Damo Suzuki, James Blackshaw, Josephine Foster, Richard Youngs, The Hototogisu, Ariel Pink's Haunted Graffiti, Signer, Panda Bear, The Dead Texan, Samara Lubelski, P.G. Six, entre outros. A noite era de sessão dupla: primeiro os Tropa Macaca, acabadinhos de editar Marfim em vinil pela Ruby Red, depois os norte-americanos Psychic Ills.

Dos Psychic Ills esperava-se muito. Esperava-se muito mas o sucesso da actuação dos norte-americanos não foi o esperado. Não por não terem reproduzido Dins na sua totalidade; não por terem optado, na maioria do concerto, por explorações menos directas; não por terem fugido ao óbvio (algo sempre louvável). Foi por terem sido, durante grande parte da actuação, pouco interessantes nas explorações que levaram a cabo, deixando para trás as guitarras, o baixo e a bateria para darem primazia a teclados e máquinas distintas. Quando pegaram na fabulosa “January Rain” (do óptimo Dins), guiada por guitarras entusiasmantes, tornou-se ainda mais óbvio a falta de inspiração de grande parte dos momentos anteriores. Poderia ter sido um belíssimo concerto, mas não foi.

Na primeira parte, André Abel e Joana da Conceição apresentaram-se no Passos Manuel para mostrar uma longa exploração de movimentações circulares e de efeitos ruidosos crescentes. De um lado as guitarras, do outro as máquinas. Foi dessa interacção que nasceram jogos de contrastes entre agudos e graves, que se apreciou o ritmo ou a inexistência dele (batidas que chegam, batidas que se vão), progressões quase invisíveis. Tudo se assemelha a um vulcão em erupção. A progressão dos Tropa Macaca em relação aos primeiros concertos é por demais evidente. Tudo é mais controlado, tudo é mais coerente. Marfim é o disco que marca definitivamente essa afirmação dos Tropa Macaca como uma das fontes sonoras mais interessantes da actualidade em Portugal.
· 26 Set 2007 · 08:00 ·
André Gomes
andregomes@bodyspace.net

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