Clubbing
Casa da Música, Porto
03 Fev 2007
O primeiro sábado de cada mês é agora dia de Clubbing na Casa da Música, uma louvável e iniciativa que arrancou em Janeiro no edifício portuense e que agora celebrava a sua segunda edição com uma mão cheia de propostas. O número 2 das sessões de Clubbing voltava, segundo a organização, a apostar em duas vertentes distintas: na Sala 2 a nostalgia da sonoridade dos anos 80 (glamourosa e revisitada) e no Cybermusica as tendências electrónicas mais contemporâneas. O conceito é atractivo e alguns dos nomes garantiram a presença de muito público. Em todo o edifício, na Sala 2 e antes de mais no Cybermusica.

E foi precisamente no Cybermusica que as coisas arrancaram – gratuitamente a aberto a todos. Os @c de Miguel Carvalhais e Pedro Tudela marcavam o terreno ainda fresco com o lançamento do ainda recente Study, primeiro disco de estúdio da dupla que outrora foi um trio. Como é habitual nos concertos dos @c, trabalhou-se uma electrónica de faces ásperas e por vezes agressivas; incentivou-se a fruição complexa das paisagens sonoras agrestes que a artista digital austríaca Lia, habitual companhia dos @c, fez questão de ilustrar numa grande tela. Existe, em todo o processo, uma grande interacção e cooperação que no final se traduz em experiências interessantes.

Phantom/Ghost © Joana Pinho

Já a pagar e dentro da Sala 2, o Clubbing continuava com uma dupla no mínimo curiosa. Numa mesa que continha maquinarias, um pano negro anunciava o nome daqueles que subiriam ao palco de seguida: Phantom/Ghost, um projecto germânico assinado por Thies Mynther e Dirk von Lowtzow que lançou em 2006 o seu terceiro disco, Three. Entraram em palco com champanhe numa mão e copos na outra. Um sentou-se ao piano e o outro ficou bem em frente, junto ao microfone, e ali havia de ficar até ao final, na voz (dramática e quase cavernosa por vezes) – não sem algumas investidas teatrais na mesma parte da frente do palco. Dedicaram canções a eles mesmos e ao amor que os une (“Perfect Lovers” foi um desses casos), proclamaram o carinho que nutrem um pelo outro de forma mais ou menos libidinosa. A primeira parte consistiu de baladas conseguidas entre o piano e uma voz algo teatral, todas delas com interesse variável (e nem sempre suficiente). As coisas tornaram-se bastante mais interessantes quando aconteceu a mudança do piano para as máquinas que dispararam batidas e electrónica temperada – aí tudo pareceu estar dentro do espírito da noite. Pena foi esse lado dos Phantom/Ghost ter acabado tão cedo.

WhoMadeWho © Joana Pinho

A noite esperava os WhoMadeWho. A noite e aqueles que em várias alturas da actuação do trio dinamarquês mostraram sinais de gtande contentamento (assim como vontade de dançar) e acompanharam os vocalistas nas suas palavras. O disco homónimo lançado em 2005 pede claramente festa ao vivo e isso é aquilo que aparentemente os WhoMadeWho têm feito ultimamente – algumas vezes já em território nacional. Tomas Barfod, Tomas Hoffding e Jeppe Kjellberg gostam de estar em palco e isso sente-se. Sente-se na sensual e lasciva “Rose”, legitimação para aquela bola giratória que marcou presença desde o início na sala 2. Com a actuação dos WhoMadeWho e com o punk que é que funk que é disco, a sala dois encheu-se e ganhou, aí sim, dimensão de club.

WhoMadeWho © Joana Pinho

Não é só “Rose” que insinua tudo e mais alguma coisa nos WhoMadeWho. Sempre que o baixo se chega à frente e inventa linhas tentadoras a celebração dá um passo em frente (e dois para o lado). Os temas vão-se repetindo e surgem antes que o anterior acabe – aproveita-se o final de um para começar o outro e às tantas tudo parece um grande e festivo medley. Foi por isso com naturalidade que “Satisfaction” de Benni Benassi surgiu em cena para mostrar que estes nórdicos são bem-humorados. “Out the Door” ainda assim é provavelmente o momento que mais impressionante pelo sei baixo pulsante e pelo vicio que é capaz de provocar.

A cerveja corria de mão em mão na Sala 2 e o pior mesmo foi quando a actuação terminou: os WhoMadeWho finalizaram a noite (deles e nossa) demasiado cedo. Exigia-se uma actuação maior, mas enquanto durou foi aquilo que se esperava: entusiasmante grande parte do tempo. Pouco depois a Sala 2 recebia o seu último nome (antes de se rumar à última etapa da noite no Bar 2 com o DJ Set de Rui Pragal da Cunha e Hang the DJ): o sueco Jay Jay Johanson (que recentemente editou The Long Term Physical Effects Are Not Yet Known), que surgiu na Casa da Música em modo DJ Set e com bastante sucesso. E a noite ainda era uma criança.
· 03 Fev 2007 · 08:00 ·
André Gomes
andregomes@bodyspace.net

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