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Bob Dylan Blonde on Blonde

1966
Columbia


Bob Dylan, um dos mais importantes ícones da história da música popular (hoje, ao contrário do contemporâneo Bowie, em baixo de forma), atingiu neste “Blonde on Blonde” a sua obra maior. A sua discografia é já bem extensa (o seu primeiro disco é de há 40 anos!) e como mandam as leis da física, não é perfeita. Tem os seus altos e baixos, os seus picos e os seus maus momentos, numa amálgama de estilos e géneros muito variados que representam uma evolução grande, mas nem sempre na melhor forma. Num breve olhar de síntese, poder-se-ão estabelecer alguns picos musicais. De 1963 a 1969, Dylan editaria oito discos, todos eles com um patamar musical mais que elevado. Depois daqui, só em meados da década de 70 e em alguns casos pontuais Dylan conseguiria chegar perto daquele que foi, sem sombra de dúvidas o seu melhor momento. Homem fiel a uma editora (todos os seus discos estão editados pela Capitol), Bob Dylan tem uma influência esmagadora em diversas formas da pop, e foi inovador numa série de pontos. De Tom Waits a Paul Simon, uma grande constelação de músicos viram nele uma influência a seguir.

Hoje, Bob Dylan volta a ser um ídolo idolatrado, muito por culpa da redescoberta em 1997 com o álbum “The Time Out of Mind”, que representou o regresso depois de um longo silêncio criativo. A crítica aplaudiu, e uma série de “dossiers” em diversas publicações dão a descobrir às gerações mais novas a obra de génio que Dylan nos deu. “Blonde on Blonde” surge em 1966. Um ano antes Dylan já havia lançado o marcante “Highway 61 Revisited” (que contém o clássico “Like a Rolling Stone”), os Beach Boys lançavam o histórico “Pet Sounds” e os Beatles estavam no pico criativo da sua carreira.

“Blonde on Blonde” representa a obra maior de Dylan e é indispensável em qualquer listagem dos melhores discos do séc. XX. É o fechar de um ciclo, já que este acabaria por ser o último disco em que Dylan teria uma relação tão forte com o rock & roll. Dylan foi buscar o guitarrista Robbie Robertson (fundador no ano seguinte dos lendários The Band) que o ajudou e muito em todas as canções, a criar uma obra rock intensa, profunda e densa. As músicas têm sabor a melancolia de fim de noite, e são assombramento estimulantes. A voz característica de Dylan (por vezes anasalada) guia o álbum de uma forma que muito contribui para a sua caracterização. Desde o bizarro “Rainy Day Women #12 & 35”, até às baladas de “Visions of Johanna” ou “Just Like a Woman” (estes dois últimos são clássicos), “Blonde on Blonde” é um álbum que cativa, transcende e que ao longo de 70 minutos (nem se dão por eles...) nos toca.

Um histórico, por certo o melhor da extensa carreira de Dylan. Chega?


Tiago Gonçalves
tgoncalves@bodyspace.net
24/08/2002