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Callaz Gaslight

2018


Callaz é um projecto da autoria de Maria Soromenho, artista visual e designer que, da moda, passou para a música (descrição esta escandalosamente roubada e reajustada da sua página no Facebook). Depois de ter editado Beer, Dog Shit & Chanel Nº5 em 2017, colecção de canções pop feitas a partir de um quarto com vista para o mundo, Callaz voltou este ano com Gaslight, que segue mais ou menos a mesma premissa.

Inserindo-se nesse contexto de "autor/a no quarto" - por opção estética ou por impossibilidade de ir a estúdio, só os próprios artistas o poderão explicar - Maria Soromenho / Callaz dá-nos um mini-álbum com a candura que regularmente reconhecemos a esta facção indie, mas com referências que vão além do simples romance teen; prova disso é o facto de abrir com uma salva a Mary Landon Baker, socialite dos anos 20, cuja vida amorosa foi escandalosamente escarrapachada nos jornais da altura. E que, aqui, aparenta-se quase como que um ícone feminista: She wasn’t shy / Rather she was free, escuta-se.

A "candura" é sobretudo sonora (a produção tendo sido cortesia de uma certa Primeira Dama e de um tal Chinaskee), e está presente nas melodias, nos ritmos lo-fi que parecem sacados a um teclado de brincar, na voz encharcada de efeitos. Em malhas como "Breakup Funk", o tema-título ou "Come As Your Madness". E no final com "Florebela Espanca", a única em português, que vai buscar três simples versos à poetisa. Prova que num quarto (também) podemos ser estrelas.


Paulo Cecílio
pauloandrececilio@gmail.com
03/01/2019