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azul-revolto Seiva

2018
ZABRA Records


Corre por todos nós, todos os animais, todos os seres, todas as plantinhas à face da Terra. Circula e alimenta. Mantém todas as fibras da existência a vibrar, a refulgir. Seiva. Sangue. É vida. Mas também mistério. É a Natureza a operar no íntimo, fazendo mexer o todo, ela subordinada ao deus disto tudo, a grande máquina, o magnânimo Universo, de tantas caras e feitios; pródigo, belo, tenso, assustador.

O novo EP do lisboeta azul-revolto, Seiva, editado pela jovem ZABRA, é house, deep-house, espessa e nutritiva. Nas suas propriedades, o mistério, o drama, o sonho e a magia. É som simultaneamente apontado ao corpo e à mente: são batidas exactas, cadências que não deixam os músculos indiferentes; são melodias carregadas, húmidas; há evocações místicas para mexericar o espírito ansioso de transcendência.

"Unção", de todos os temas, é o mais completo. Há ecos distantes a invocar a ancestralidade. Há o picar fantasmagórico do vinil. Há suspiros de uma qualquer ritualidade pagã. Há uma história que intima. Uma que tem sequela em "Cura" – de um breakbeat intuitivo e aprimorado e um fantasioso borbulhar ácido. Dois temas absolutamente envolventes, e viciantes. Os restantes exercícios são mais ou menos vagos, interessantes; são vida a precisar de mais narrativa, mais seiva, ainda mais mistério.


Rafael Santos
r_b_santos_world@hotmail.com
28/11/2018