bodyspace.net


Firma Do Txiga Firma Do Txiga

2017
Príncipe


Firma: o nome sobre o qual se exerce uma actividade económica; fornece a informação sintética sobre o que uma empresa desenvolve. Música, por exemplo. Mais concretamente: afrohouse, "kuduro progressivo", ou o som dos subúrbios que rodeiam Lisboa e que, após a conquistarem, partiram à busca do mundo numa série de OPAs, transformando-se numa verdadeira multinacional. A Firma Do Txiga é (também) isso - uma história de self made men que enriqueceram à custa de uma boa ideia. Mais no sentido cultural que no monetário.

Mas uma Firma é também o nome dado às claques de casuals, que rejeitam colocar ao pescoço ou nos braços o que tenha a ver com o seu clube. Neste caso, a Do Txiga não é bem casual; não escondem de onde vêm nem escondem as influências que geraram o som que produzem. Mas são como uma claque, apoiando o glorioso FC Príncipe com um álbum que, mais que tudo, serve como cartão de apresentação - ou cântico de estádio em oito faixas sufocadas pelo ritmo.

É este quem domina, mas também há melodias: como um certo travo de deep house em "Era Uma Ve(z)", de DJ K30, ou o magnífico encontro entre a kizomba e os sintetizadores urbano-noir de "Ambientes Leves", obra perfeita de DJ NinOo. De resto, não "Éh Brincadeira" nenhuma; a Firma Do Txiga está aqui para nos fazer dançar durante toda a madrugada, suando o máximo no processo. Podem comprar-lhes umas quantas acções.


Paulo Cecílio
pauloandrececilio@gmail.com
22/06/2017