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Badly Drawn Boy About a Boy

2002


Após o fabuloso “The Hour of Bewilderbeast”, Badly Drawn Boy surge com mais um excelente disco. Apesar de este não ser assumido como o sucessor daquele que é um dos melhores álbuns da memória recente, funciona perfeitamente bem como sucessor. É a banda sonora do filme “About a Boy” de Nick Hornby's e vem mostrar que Badly Drawn Boy tem de facto um grande talento para a música e o primeiro álbum não foi apenas um temporário acesso a uma forma de criatividade a que nem todos podem aspirar.

Damon Gough, o nome que se encontra por detrás de “Badly Drawn Boy”, preferiu gravar uma banda sonora (e não é nada fácil fazer uma banda sonora) a realizar o sucessor de “The Hour of Bewilderbeast”. O resultado é um disco simples que consegue ser sofisticado. Pop belo e “verdadeiro” e melodias extremamente boas caracterizam esta banda sonora. É um daqueles álbuns que dá prazer ouvir, e voltar a ouvir. Não cansa e não reduz a música a algo temporário e passageiro.

“Donna and Blitzen” é, na minha opinião, uma das melhores faixas do disco, apesar de poucos a considerarem como tal. É uma canção num registo muito leve, descontraído até, muito simples, em registo acústico e que mostra todas as capacidades de um verdadeiro songwriter. Simplicidade, capacidade de transmitir uma mensagem e um sentimento e ainda a vontade de ouvir. Um álbum é sempre um todo, e, por isso, realçar esta ou aquela música é sempre algo que passa pelo gosto pessoal de cada um. Mesmo assim, “Above You, Below Me”, “Something To Talk About”, “Silent Sigh” e ainda “File Me Away” merecem ser destacadas pela sua grande qualidade.

É das mais brilhantes e interessantes bandas sonoras que já tive oportunidade de ouvir. Existem normalmente dois tipos de bandas sonoras. As que, necessitam da visualização do filme e precisam dele para sobreviver e só fazem sentido tendo como ponto de partida aquilo que se passa no ecrã, e as que, ganham vida própria para além da película e fazem todo o sentido fora desta. A banda sonora de “About a Boy” encaixa-se mais nesta última categoria, até porque, este disco poderia funcionar muito bem como um elemento independente.

Apesar de ser mais pop do que o álbum anterior, é ainda mais delicioso. Por vezes surge a estranha sensação de que o disco se apoderou da aparelhagem e o botão para a desligar deixa de funcionar, mais, chegamos à conclusão que o disco se apoderou de nós. Um disco brilhante que dá a 2002 a difícil tarefa de dar um melhor nesta categoria. Vale mesmo a pena.


Tiago Gonçalves
tgoncalves@bodyspace.net
19/06/2002