DISCOS
Shackleton
Three EPs
· 19 Out 2009 · 16:44 ·
Shackleton
Three EPs
2009
Perlon


Sítios oficiais:
- Perlon
Shackleton
Three EPs
2009
Perlon


Sítios oficiais:
- Perlon
Precioso exercício retórico algures entre o negrume dubstep e o techno minimal abstracto: um surreal exemplo de escrita criativa.
O misterioso Shackleton é dos poucos a poder afirmar com orgulho que Ricardo Villalobos lhe alterou o estilo de vida e a orientação estética das suas operações sonoras iniciadas na Skull Disco. Bastou uma intervenção do chileno sobre Blood on My Hands (2007) para que começasse a explorar as potencialidades do seu dubstep tribal sobre uma milimétrica matriz techno minimal.

Three EPs é, e nós acreditamos nisso, uma espécie de álbum de estreia onde o britânico Shackleton, agora a residir em Berlim e a laborar nos laboratórios sonoros da Perlon, concretiza muitos dos seus mais peculiares devaneios. Com uma disciplinada metodologia, consegue erguer uma desusada unidade onde mantém o seu traço mais característico enquanto toma como seus alguns espasmos sonoros mais habituais de um Villalobos. E nada é desvirtuado no evidente experimentalismo a que se dedica num laboratório mundialmente reconhecido por ser uma academia onde os seus mais proficientes estudantes do som são estimulados a perseguirem o que só a sua labiríntica imaginação legitima.

Num evidente exercício retórico, cada vez mais distante dos paradigmas do dubstep e cada vez mais próximo dos tiques nervosos do techno de Berlim, Shackleton assalta-nos a mente com inquietantes rituais extraterrestres onde a precisão das sombras desvanece e os contornos geométricos são escamoteados. Não há grande espaço para improvisos, apesar de nos deparamos, durante uma hora, com a estimulante liberdade criativa da escrita do autor: das suas programações orgânicas, da maleabilidade e dinâmica dos ritmos – sujeitas a inesperadas contorções, sejam lá techno, dubstep ou ritmos do médio oriente –, da imprevisibilidade das micro-manipulações dub a que submissa a pouquíssima matéria-prima com que trabalha, do negrume alienígena das melodias quase cinematográficas até aos baixos portentosos despoletados por petardos estrategicamente colocados.

Tal como Vertical Ascent – com quem partilha alguns pontos de contacto no soberbo "Something Has Got To Give" –, este Three EPs é um disco improvável, concebido por um académico em busca, não da perfeição estética de uma determinada tipologia, mas de novas formas, modelos ou bases que sirvam de plataforma de ascensão a novas realidades. É um disco de escuta nada fácil, mesmo de difícil assimilação. Mas uma certeza extraímos das diversas audições: virtuosismo não falta neste singular facto estético que agora temos a sorte de conhecer. Essencial.
Rafael Santos
r_b_santos_world@hotmail.com
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