DiscoBruce Springsteen We Shall Overcome: The Seeger Sessions

publicado em

Bookmark and Share

2006
Columbia

Sítios oficiais:
Bruce Springsteen
Columbia

O recuperar das raízes musicais estadunidenses pela mão de um mestre em fase ascendente.


Bruce Springsteen não é propriamente um novato nestas andanças da folk. Inicialmente apresentado como o novo Bob Dylan, Springsteen gravaria vários álbuns nos quais cruzaria as raízes musicais estadunidenses com a pop mais mainstream, e revisitaria, num passado mais recente, lendas como Woody Guthrie e Pete Seeger, nas colectâneas Folkways: A Vision Shared – A Tribute to Woody Guthrie & Leadbelly (1988) e Where Have All the Flowers Gone: The Songs of Pete Seeger (1997). Esta última seria o ponto de partida para este We Shall Overcome: The Seeger Sessions. Nele, Springsteen celebra não só o génio musical de Seeger, como também a sua consciência política (Seeger era um convicto anti-McCarthy), que, uma vez traduzida para os dias de hoje, continua bastante actual e incómoda quando invocada por um convicto anti-Bush.

Apesar de não contar com a E Street Band, Springsteen não perde nenhuma da sua intensidade. We Shall Overcome conta com uma banda de treze peças que potencia as canções muito para além das suas características iniciais, ao mesmo tempo que lhes preserva o clima informal e identidade popular. É, pois, outro o ar que ali se respira: as canções desdobram-se em imagens que relembram outras vidas, outros tempos, e, no entanto, uma mesma história.

Springsteen discorre sobre a América, a sua América, apontando-lhe em cada palavra, nota ou entoação, as causas por detrás dum espírito a quem a resignação ainda não bateu à porta. Ao fazê-lo está a abrir os braços à riquíssima herança cultural deixada por milhares de homens e mulheres que, ao longo do tempo, forjaram uma nova cultura a partir das muitas que trouxeram de casa. A legitimidade, essa, vem-lhe da postura enquanto voz dos colarinhos azuis, aliada à forma como explorou no passado, texturas que, tal como em Seeger, eram paradoxais por se dividirem entre a força da mensagem e a fragilidade/simplicidade tímbrica – ouça-se o magistral Nebraska (1982), enquanto exemplo maior desse paradoxo.

We Shall Overcome é, por tudo isso, um documento importantíssimo para todos aqueles que desejem lançar-se, comodamente, à descoberta das raízes musicais daquele país. Também o será para todos os outros.

Samuel Pereira
an_american@paris.com


Relacionado

Discos
The Rising
2002
por Tiago Gonçalves em 06 Set 2002
Working on a Dream
2009
por Rodrigo Nogueira em 05 Fev 2009

Últimos discos

{img200}

{banda}
{album}

{texto}

por {autor}

{img70}

Últimas

Últimas por Paulo Cecílio em 06 Set 2010 - 22:25

Master Musicians of Bukkake em Lisboa e Porto

Últimas por André Gomes em 06 Set 2010 - 22:01

Festival da revista jazz.pt aponta grandes nomes do jazz europeu

Últimas por Rodrigo Nogueira em 06 Set 2010 - 20:52

Kanye West volta à soul acelerada e aos nossos corações

Disco por Nuno Leal em 06 Set 2010 - 09:58

Harlem
Hippies

Últimas por Nuno Catarino em 06 Set 2010 - 00:13

Rentrée ZDB, Setembro e Outubro: Ayler revisitado e muito mais

 

© bodyspace.net 2002-2010